A Samello terá, hoje, um dia de decisão. Com a fábrica parada há dez dias e seus funcionários dispensados, depende da liberação de um empréstimo bancário para pagar a folha de setembro e poder retomar a produção. Caso isso não aconteça, a paralisação deverá continuar e a empresa poderá iniciar um processo de demissões. Até agora, cerca de 18 mil pares deixaram de ser fabricados, representando um prejuízo próximo a R$ 1 milhão.
O presidente da companhia, Miguel Sábio de Mello Neto, disse, na sexta-feira, que a intenção inicial da empresa era pagar os R$ 720 mil que deve aos funcionários e retomar as atividades sem demissões, mas não descartou totalmente a idéia. “Todo o enxugamento e sacrifício necessários serão feitos para que paguemos nossas dívidas. Nada pode ser descartado”. Ontem, ele não foi encontrado para dizer o que será anunciado aos empregados.
Na segunda-feira, Mello Neto conversou com cerca de 200 funcionários que estiveram na porta da fábrica. Não prometeu datas para pagar os salários atrasados, mas garantiu que ninguém ficaria sem receber. O Sindicato dos Sapateiros decidiu então, em assembléia com os trabalhadores, cobrar uma posição concreta da Samello para hoje. “Não dá para ficar nesse chove-não-molha. Eles têm de se posicionar. Ninguém quer que a Samello feche as portas, mas o sapateiro precisa comer e pagar suas contas em dia”, disse Antônio Carlos Jardim, diretor do sindicato.
O presidente da entidade, Paulo Afonso Ribeiro, teve uma posição mais comedida e disse que espera da empresa uma posição favorável aos funcionários. “A expectativa é que tenham conseguido o dinheiro com o banco e paguem o pessoal. Creio que há boa vontade e prefiro acreditar que esta situação será resolvida rapidamente”, afirmou. Sobre a possibilidade de demissões, Ribeiro disse que dificilmente elas ocorrerão. “Além dos custos que as dispensas acarretariam, a Samello precisará de gente se quiser se reerguer. Ainda mais com o nível de pessoal que eles têm, a maioria com oito, dez, vinte anos de casa. Não acredito nisso agora.”
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