Democrata ignora crise e produz hoje 10 mil pares por dia


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COMEMORAÇÃO - Vista geral da fábrica de calçados Jovaceli: hoje é o Dia do Sapateiro. Profissional símbolo da economia local se preocupa com situação do setor
COMEMORAÇÃO - Vista geral da fábrica de calçados Jovaceli: hoje é o Dia do Sapateiro. Profissional símbolo da economia local se preocupa com situação do setor
Dólar em baixa, juros em alta, “invasão” chinesa. Enquanto fatores como esses tiram o sono da maioria dos empresários calçadistas, Urias Francisco Cintra, 53, dono da Calçados Democrata desafia a crise enfrentada pelo setor em Franca, encara as adversidades macroeconômicas atuais de frente e diz que solução é investir em novos mercados e apostar na criatividade. Enquanto empresas tradicionais, com décadas de tradição, vêem os tempos de glória cada vez mais distantes, a Democrata continua crescendo e investindo. Com mais de 1,3 mil sapateiros na região de Franca (incluindo as três unidades da cidade e pontos de costura em Sacramento, Cássia e Capetinga), a empresa produz hoje 10 mil pares de calçados diariamente, dos quais 55% vão parar nos pés de estrangeiros. Entre os 56 países para os quais a empresa exporta destacam-se nações do Oriente Médio e européias como Inglaterra, Espanha, Alemanha, Holanda e até a Itália, tida como produtora do melhor sapato do mundo. Com uma menor dependência do mercado norte-americano, a indústria de Urias fica menos refém dos humores da cotação do dólar, já que seus produtos são negociados em Euro. Além disso, o mercado europeu tem sido para esse mineiro de Claraval uma verdadeira porta escancarada para entrar no mercado de outras regiões do globo como o mundo árabe e a Ásia. A cada seis meses, o empresário viaja para Milão, Itália, não para copiar modelos que os outros já fazem, mas para conhecer tendências e compradores de todo o planeta. Quando perguntado se a empresa estaria “boa das pernas”, Urias brinca: “Você vê as pingas (sic) que eu tomo, mas não vê os tombos”. O problema que Urias enfrenta é estar vendendo demais e produzindo ao máximo. Com a capacidade produtiva no limite, a Democrata precisará investir mais para dar conta do recado, uma vez que o diretor comercial da empresa acaba de voltar do Japão, com quem a empresa deve começar a negociar. O investimento anual de R$ 1,5 milhão em propecção de novos mercados fez a empresa crescer 43% em produção desde 2003, quando a Democrata vendia seus produtos para “apenas” 34 países, além do Brasil. INVESTIMENTOS Sobre a questão do investimento, o empresário Urias Francisco Cintra revelou que isso é que fez a diferença para a empresa. Quando o dólar começou a cair e os empresários, prevendo dificuldades, diminuíram a produção, ele fez o contrário. Aumentando a produção, ele conseguiu comprar matéria-prima mais barata de seus fornecedores. Além disso, diminuiu um pouco a margem de lucro fabricando calçados mais baratos e competitivos que o de seus concorrentes. Ele investe também na mão de obra especializada e não troca os francanos por nenhum outro. “O sapateiro de Franca tem uma mão muito boa. Ele gosta de fazer sapato e sabe fazer”, afirma. Segundo Urias, a última vez que sua empresa (no mercado há 23 anos) teve que demitir por dificuldades econômicas foi no início do governo Collor, em 1990. Ele conta que sempre negociou com respeito e compreensão com o sindicato dos Sapateiros. Por não parar de investir, Urias pode respeitar o gigante chinês, sem tremer diante do país que já detém mais de 50% do mercado mundial. “Não tenho rancho. Meu negócio é a Democrata. A gente tem máquina. Talvez seja isso que faz a gente crescer e sobreviver às dificuldades. No momento bom, a gente vende. No momento ruim, a gente tem que ter como bancar. Se você ficar ‘desviando’ recurso, tirando tudo da empresa no momento fácil, você não sobrevive no momento difícil. Para colher, tem que estar sempre plantando”, aconselha.

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