Artista plástica há 30 anos, Sílvia Vecchi Pedro, natural de Ribeirão Preto (SP), diz que é um “estigma” pensar que a pintura em porcelana é uma técnica cara e inacessível. “É um trabalho de artesanato como qualquer outro, em que os custos dos materiais utilizados são muito parecidos. Uma vantagem da porcelana é a quantidade de estilos possíveis e também o fato de não ser necessário saber desenhar para aprender a pintar. Costumo dizer que em todas as outras técnicas de pintura o artista põe a tinta para formar uma figura ou imagem. Na porcelana, o artista aprende a retirar a tinta”, explica, desmentindo a noção de que o clássico realista nas representações “still life” ou as naturezas-mortas em flores e frutas acetinadas são, em estilo, a grande aplicação da técnica. “Temos os estilos moderno com impressionismo, subjetivismo, abstratos. Temos o estilo oriental, com ideogramas, canetados, arabescos, paisagens, dragões, leques”.
Apreciadora da arte francana, Sílvia cita pintores locais que qualifica como grandes artistas: Cariolato, Luís e Pedro Schiratto, Banharelli, Ferrante, Modenesi, Macedo, Nocera, entre outros, elevando a cidade como um reduto de talentos. “Já participei de várias exposições coletivas na Pinacoteca Municipal. Logo teremos a Casa Cariolato, como novo endereço da cultura em Franca, o que será excelente para as artes na cidade”.
Silvinha Pedro conta que se “francanizou” quando veio para a cidade, em 1966, estudar História na antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca, hoje Unesp (Universidade Estadual Paulista). “Foi um período tão bom, em que conheci tanta gente, que fiquei francana de coração. Quando me formei, em 1969, voltei para Ribeirão, onde lecionei História. Mas no período de graduação eu começara a namorar o José Jorge Pedro, com quem me casei em 1973, então vim morar em Franca. Achei o povo daqui muito receptivo”, lembra.
Mas a História foi um capítulo à parte na vida de Silvinha Pedro (como é conhecida na cidade). Sua grande referência está, sem dúvida, nas artes plásticas, em especial a pintura de porcelana e faiança. “Logo que voltei para Franca, passei a me dedicar à pintura, às aulas. Apesar de eu adorar História, a arte sempre foi importante em minha vida e me acompanhou, desde menina”, conta.
Silvinha lembra que ao se casar e se instalar definitivamente em Franca, muitas amigas que sabiam desse seu talento para pintura pediram para ter aulas. “Nessa época, não havia quem ensinasse a técnica na cidade. Comecei na cozinha do meu apartamento, que ficava no Centro, dando aulas para Cristina e Dilu Jacintho, Beth Batista, Fátima Olivieri. Assim iniciei e nunca mais larguei”.
A partir disso, passou a investir nessa carreira, especializando-se em cursos diversos. “Estudei com Mário Watanabe e Toninha Linhares, que são nomes expressivos na pintura em porcelana, em São Paulo, e davam cursos em Ribeirão Preto.”
O método de ensino de Silvinha Pedro é baseado exclusivamente no gosto pessoal e na aptidão de cada aluno. “Quando chega aqui, eu apresento ao aluno todas as modalidades disponíveis de pintura em porcelana. Ele escolherá aquele que mais aprecia.”
Quem quiser conhecer melhor a técnica, conversar com a artista e verificar as peças, pode ligar para o telefone (16) 3722-1166 ou visitar seu ateliê, na Rua Antônio Covas, 153.
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