Ângelo David de Persicano, 76, advogado há quase 50 anos e renomado professor de Direito, está internado no Hospital Psiquiátrico Alan Kardec. Com uma dívida estimada em, no mínimo, R$ 400 mil, e réu em cerca de 50 ações de cobrança e execução, Persicano foi interditado judicialmente no dia 13 de julho.
Foi a sobrinha do professor, Hilma das Graças Primo, 56, quem pediu a interdição. Segundo ela, ele foi acometido por uma “anormalidade mental” e não tinha mais condições de administrar sua vida pessoal. “Se ele continuasse do jeito que estava iria terminar na miséria”, disse Hilma, que mora em Catalão, no Estado de Goiás. Persicano, que não tem filhos, perdeu a mulher em agosto do ano passado. Desde então, a situação só piorou. Hilma esteve no velório da tia e disse que na ocasião recebeu um pedido da cunhada do professor. “Ela pediu pelo amor de Deus para que a família tomasse conta dele”. Hilma é o parente mais próximo de Persicano com menos de 60 anos. “Depois de ver o quanto a vida dele estava descontrolada, eu resolvi pedir a interdição na Justiça”, disse.
Geraldo Francisco Chioca Tristão, advogado de Hilma, diz que as dívidas contraídas por Persicano foram a razão maior do pedido de interdição. “Ele perdeu condições de gerenciar sua vida particular. O problema maior é o excesso de inadimplência”, disse.
Os problemas psíquicos do professor foram constatados por laudos periciais. “Os médicos apontaram um absoluto desequilíbrio e o descontrole”.
O próprio advogado do professor, Gilmar Machado da Silva, não contestou a decisão da Justiça. “Não recorri porque tecnicamente não havia como ter sucesso. Tomamos conhecimento de que os problemas, inclusive, não eram recentes, vinham acontecendo há mais de um ano. Por essa razão não havia o que fazer”. Gilmar, que, até a interdição, era responsável também por administrar os débitos de seu cliente, afirma que o professor deve entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. A quantia seria superior ao patrimônio de Persicano que se restringiria a uma casa avaliada pela Caixa Econômica Federal em R$ 250 mil e metade de uma outra, que, segundo estimativa do advogado, teria valor total de cerca de R$ 160 mil.
A sentença proferida pelo juiz Charles Bonemer Júnior, da 2ª Vara da Família e das Sucessões de Franca é clara: “não há dúvidas de que Persicano está absolutamente incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil, em decorrência de quadro demencial, com comprometimento de funções psíquicas”.
FUTURO
Atualmente, Persicano fica cerca de 15 dias no Alan Kardec e 15 dias em casa quando sua sobrinha fica em Franca. A intenção de Hilma é começar a morar na cidade a partir do final do mês que vem. “Estou me preparando para mudar para Franca. Tenho um filho de 12 anos e ele não quis se mudar agora por causa da escola”, disse. Segundo ela, Persicano não quer se mudar para Goiás. “Ele já viajou comigo, mas, muitas vezes, prefere ficar no Alan Kardec a vir para Catalão. Em breve essa situação será resolvida”, promete.
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