Funcionários da Samello se desesperam


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Funcionários da Samello decidiram, ontem, continuar a paralisação iniciada na semana passada em protesto à falta de recebimento de salários. Houve uma reunião pela manhã entre os trabalhadores e o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, na qual o empresário comunicou que não há previsão para que o pagamento seja efetuado. O desespero tomou conta de muitos funcionários, que têm de apelar para empréstimos bancários e venda de patrimônio pessoal para pagar suas contas e até mesmo para comprar comida. O acabador José da Cunha, 60, trabalha na empresa há 17 anos. Após o encontro com Mello Neto, sem qualquer pudor, pôs-se a chorar em meio aos companheiros. “Choro mesmo. Jamais esperava ver a Samello chegar a este ponto. Se essa empresa fechar, muita gente perderá. Eu mesmo, onde arrumarei emprego com minha idade?” Faltando apenas dois anos para se aposentar, Cunha, que recebe salário mensal de R$ 570, disse que a falta de pagamentos o obrigou a se endividar. “Temos de comer lá em casa. Tive de pedir um limite de R$ 200 no banco, que já está estourado. Estou pagando juros e ficando desesperado com isso, pois sempre fui um homem muito correto com minhas contas”, disse o acabador, que mora com mulher e dois filhos no Jardim Boa Esperança. O cortador RSS, 30, há dois anos financiou um carro. Com salários em torno de R$ 800, pagava, sem problemas, os R$ 220 das prestações. Agora, devido aos atrasos nos salários, há dois meses não consegue pagá-las e pensa em se desfazer do bem. “Vou ter de passar para frente. Já paguei R$ 4 mil e se não receber na quarta-feira vou vender por R$ 2,5 mil. E o pessoal da diretoria, com crise e tudo, só anda de carro importado.” “Pode ser que paguemos na quarta-feira, tudo vai depender de reuniões amanhã (hoje) em São Paulo. Se conseguirmos o dinheiro, pagaremos no ato”, disse o empresário, que classificou o encontro com os funcionários como proveitoso.

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