Uma nova linha de crédito e uma força tarefa para descobrir soluções sustentáveis para as seguidas crises do setor. Essas foram as principais conquistas obtidas pelos representantes de Franca e de outros pólos calçadistas do Estado que estiveram reunidos com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na tarde de ontem. Ele adiantou que o valor a ser liberado deve ser de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões, mas especula-se que o montante deva ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.
A portas fechadas por mais de uma hora e meia, os presidentes dos Sindicatos dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, e das Indústrias Calçadistas de Franca, Jorge Felix Donadelli, apresentaram ao ministro um panorama do que o setor enfrenta hoje. “Mostramos ao ministro que estamos perdendo espaço, fechando postos de trabalho e deixando muitos pais de família na rua. Dissemos a ele que se algo não for feito agora, depois, poderá ser tarde demais”, disse Donadelli.
Afonso Ribeiro pediu ainda medidas que não apenas aliviem os efeitos da crise provocada pela queda nas exportações e pela concorrência de produtos chineses no mercado interno, mas que tragam segurança para que os calçadistas consigam vencer os desafios sem ter sempre que penalizar o trabalhador. “O que queremos é a elaboração de uma política industrial para o setor e não apenas soluções paliativas. Não adianta ajudar apenas agora se não nos estruturarmos para o futuro”, disse Ribeiro, um dos responsáveis pelo encontro na sede do Ministério em São Paulo.
O ministro pareceu sensibilizado. Para ajudar, anunciou a criação de uma nova linha de crédito que estará disponível para os empresários a partir de 29 de outubro, depois das eleições presidenciais. Diferente da já existente no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a nova linha promete ser bem menos burocrática e será liberada diretamente pelo Banco do Brasil. “Tomei conhecimento hoje (ontem) que o dinheiro do BNDES (cerca de R$ 400 milhões) não chegou à mão do industrial por causa das inúmeras formalidades. Por isso, estou criando essa nova linha que será mais acessível e menos burocrática”, disse o ministro.
Os recursos para os setores calçadista, têxtil e de móveis virão do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e serão negociados com taxas de juros a longo prazo subsidiadas, devendo ficar entre 9 ou 12% ao ano.
Outra medida anunciada ontem pelo ministro é a criação de uma força tarefa liderada por técnicos do Ministério da Fazenda e com participação de servidores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, dos sindicatos das industrias calçadistas e dos sapateiros. A idéia é que esta força tarefa consiga apontar quais são os principais problemas enfrentados pelo setor calçadista e proponha soluções para a estruturação de uma política industrial. “Queremos soluções definitivas e, para isso, teremos que nos debruçar a fundo na realidade dos que trabalham e dos que fabricam calçados. Essa será a missão desse grupo, entender o setor e ajuda-lo a crescer sem tantos solavancos”.
Para Paulo Afonso Ribeiro, o resultado da reunião não poderia ser melhor. “Para mim, hoje (ontem) é um dia para entrar pra história. Essa foi a primeira vez que vi o governo federal realmente interessado em ajudar os calçadistas e estou muito feliz por isso”.
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