Antes de uma prova importante, à espera do namorado ou por impaciência ao assistir a um jogo de futebol, o ato de roer unhas, para muita gente, é um hábito que o acompanha em muitas situações. Conhecido cientificamente como onicofagia, acontece em casos nos quais a pessoa encontra-se em estado de ansiedade ou estresse e é observado tanto em crianças como em jovens e adultos. Mas o que muitas vezes parece uma simples válvula de escape pode se transformar em um transtorno, segundo especialistas, e prejudicar até a saúde de quem rói unhas.
Quando isso acontece, a ajuda de um especialista é fundamental. Neste caso, força de vontade é fundamental para um resultado positivo. A boa notícia é que há sempre uma solução para o fim do róc, róc, róc!!!
Wander Pereira da Silva tem 32 anos e unhas saudáveis, cortadas baixas, e cutículas perfeitas. Nem sempre foi assim. Aos 15 anos de idade ingressou em um curso técnico agrícola em Igarapava e, três anos depois, recebeu seu diploma de conclusão de curso.
Durante o período, teve boas notas, mas diante do professor, em todas as provas bimestrais, seus dedos sofriam. Roía as unhas até o “toco” antes dos testes e, muitas vezes depois, tinha que medicar as pontas dos dedos, deixados em carne viva. “Ficava muito ansioso. Era coisa que não dava para controlar. Quando eu percebia, os dedos já estavam sangrando”, conta Wander, que hoje é fiscal sanitário de fronteira em Minas Gerais.
Angélica Finesi, 17, rói suas unhas quando está ansiosa com alguma coisa. “Quando espero meu namorado passar em casa para sairmos no fim de semana é uma agonia. Se ele demora, um minuto que for, após o combinado, começo a roer as unhas e só paro quando ele chega”, diz a jovem. Por causa do ato, ela esconde as mãos do namorado quando ele tenta fazer carinho. “Tenho vergonha das minhas unhas”, diz ela. Problemas como o de Wander e Angélica podem ser indícios de que a pessoa não sabe controlar sua ansiedade, segundo o psicólogo clínico e doutor em psicologia Tales Vilela Santeiro.
De acordo com ele, a “mania” aparece em diferentes situações e pode desaparecer com o tempo ou, em casos mais sérios, com a ajuda de terapeutas. “Há pessoas que nascem com uma carga a mais de ansiedade, que precisam ‘descontar essa carga’ em alguma coisa. Algumas pessoas roem unhas, outras coçam o nariz, outras ainda mexem no cabelo para descarregar a tensão”, diz o profissional. Segundo os médicos, os casos de onicofagia começam a ser notados a partir dos três anos de idade. A incidência aumenta um pouco entre os sete e os dez anos e sobe consideravelmente entre dez e 18.
Receitas do tipo colocar pimenta nos dedos ou usar esmaltes de sabor desagradável não são medidas eficazes para combater o hábito. Em vez disso, a pessoa tem de buscar outras formas de diminuir a ansiedade. A prática de exercícios é a mais comum e que costuma dar mais certo. Alguns casos de onicofagia associados à ansiedade também são atenuados com técnicas de relaxamento. O psicólogo Tales Vilela explica que técnicas de respiração podem ser eficazes contra o “vício”. Mas é preciso ficar atento. Pessoas que roem unhas até deixar os dedos sangrando muitas vezes precisam de ajuda profissional”. Manter as unhas bem cortadas e lixadas também pode ajudar.
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