“Sinceramente, se não fosse a entidade, minha família passaria fome.” Assim a dona de casa Alexandra Rodrigues Melo, 30, define a importância do trabalho prestado pela Sociedade Assistencial do Bairro São José, fundada na década de 70.
Mãe de seis filhos, com idades entre 8 meses e 13 anos, ela e o marido, que ficou desempregado durante dois meses até a semana passada, passam dificuldades para sustentar a numerosa família. Sem ter o que dar de comida para as crianças, Alexandra buscou arroz, óleo, macarrão, feijão, leite e massa de tomate na sociedade há quatro dias. “Não tinha nada para a janta. Faz uns seis anos que conheço a entidade e recebo ajuda com comida de lá”, disse ela.
A família de Alexandra é uma das 30 ajudadas todos os meses com a doação de mantimentos. No Natal, as pessoas cadastradas na entidade ganham cestas básicas e brinquedos. Em 2005, foram 72 famílias beneficiadas.
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A assistência prestada pela Sociedade do Bairro São José não se resume ao lado social, mas inclui atividades físicas, de artesanato e geração de renda. São oferecidos cursos gratuitos de capoeira, balé, ginástica, alfabetização de adultos, corte e costura e de gestantes. Neste último, as participantes aprendem noções de higiene, a confeccionar enxoval e, no fim do curso, ganham banheira, cobertor e fraldas para o bebê. Atualmente, são mais de 120 pessoas matriculadas em todos os cursos.
A sede da entidade também é utilizada para reuniões dos participantes da AIF (Associação dos Idosos de Franca), quermesses e cerimônias de primeira comunhão (confira programação completa no quadro à esquerda). Antigamente, já serviu como palco do Festival de Música Sertaneja, que recebeu participantes famosos. Na época, chamados de Sereno & Sereninho, os cantores sertanejos Gian & Giovani concorreram tocando viola.
A escola de datilografia montada pela sociedade formou muitos alunos há alguns anos. Mas com o avanço tecnológico, as máquinas de escrever acabaram aposentadas. A diretoria deseja oferecer cursos de digitação e informática e, para isso, depende de contribuições. “Temos o espaço, mas precisamos dos computadores”, disse o presidente Joaquim Pedro Sobrinho.
Um outro projeto era a distribuição de remédios à população carente. Até outubro de 2005, 1248 pessoas receberam doações de medicamentos. Entretanto, a partir dessa data, o CRF (Conselho Regional de Farmácia) proibiu a prática. “Tivemos de suspender as entregas”, disse Sobrinho.
HISTÓRIA
Em julho, a Sociedade Assistencial do Bairro São José completou 30 anos. O projeto surgiu quando um grupo formado por 13 amigos se uniu para montar um programa social. A princípio, queriam construir a capela de São José, mas optaram por um projeto desvinculado de religião.
O prefeito Hélio Palermo doou um terreno e, com auxílio de um pedreiro da Prefeitura, voluntários realizaram mutirões para construir a sede. As obras começaram em 1976 e a inauguração ocorreu cinco anos depois, em julho de 1981. Hoje, 30 voluntários ajudam a escrever a história da instituição.
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