Arroz, feijão, café, milho ou qualquer verdura. Com a seca que toma conta da região de Sussuarana (BA), não adianta plantar nada. No lugar, quem reina é a caatinga (planta típica da região) que aumenta ainda mais o aspecto de seca. A única cultura que ainda resiste a falta de chuva é o algodão. Como não é possível plantar, o jeito é comprar. Bom para os feirantes, que compram todo tipo de mantimentos em Vitória da Conquista (a 100 quilômetros de Sussuarana), como verduras, frutas, cereais e carne para revender. Sábado é dia de feira em Sussuarana e segunda-feira em Tanhaçu, cidade que fica à 18 quilômetros.
A volta dos baianos no começo do mês de setembro é recebida com festa pelos feirantes e comerciantes das duas cidades. Durante o período em que famílias inteiras ficam fora, o movimento nas feiras e nas lojas cai mais de 50%. O mês de setembro para os comerciantes da região é como o Natal no sudeste. Durante a primeira compra, alguns clientes chegam a gastar R$ 100 só em verduras, carnes e cereais. Há quem gaste até R$ 1 mil na primeira compra. “As pessoas aproveitam que estão com dinheiro e estocam arroz, feijão, café e farinha”, comemora o feirante Pedro Trindade Novaes, 52, que atua nas duas cidades e depende da feira para viver. “Se não fosse o café de Ibiraci para o povo ganhar dinheiro, a gente viveria numa calamidade ainda maior”, disse o feirante.
Entre os clientes de Pedro está Aloísio Gomes Rocha, 57. Ele chegou de Ibiraci no dia 6 de setembro e no dia no dia 9 já estava na feira para sua primeira compra. A ida à feira é um acontecimento. Rocha acordou cedo, vestiu roupa nova e em frente à porteira esperou a caminhonete que transporta os moradores da zona rural ao preço de R$ 2 até Sussuarana distante 6 quilômetros de seu sítio. O veículo fica lotado. A feira, montada na praça, fica movimentada durante toda a manhã. Rocha gastou R$ 65 em sua primeira compra e levou para casa alface, tomate, cebola, temperos, batata, feijão, pão, carne de porco e de cabrito para umas duas semanas. Juscélia, 10, filha de Rocha, não veio para Ibiraci este ano, mas não perdeu o dia de feira.
Passou maquiagem e levou uma bolsinha com foto dos Rebeldes. Não saía de perto do pai, torcendo para que ele recebesse troco em moedas.
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