Dizer que o café de Ibiraci (MG) sustenta a grande maioria das famílias da região de Sussuarana (BA), a 500 quilômetros de Salvador, pode parecer exagero, mas não é. Os próprios baianos admitem que se não fosse o café de Minas Gerais a vida seria ainda mais difícil. O dinheiro da colheita se transforma em roupas, frutas, verduras, móveis, reforma da casa e eletrodomésticos. Bom para os comerciantes e feirantes que aguardam ansiosos a volta dos conterrâneos que passam, no mínimo, três meses trabalhando em Ibiraci.
O começo de setembro é a melhor época para os comerciantes. Com dinheiro no bolso, os baianos aproveitam. O casal Ilma Jesus Pires, 22, e José Neto Carvalho, 22, cata café desde a adolescência. Há dois anos se casaram e começaram a juntar dinheiro da colheita para construir uma casa de quatro cômodos.
Agora, ela já está mobiliada. “Tudo o que temos hoje foi graças ao dinheiro que ganhamos em Ibiraci. Neste ano arrumamos o piso”, disse Ilma, que sonha em construir um fogão a lenha e um banheiro. “Vamos ver se no ano que vem dá certo”, disse confiante.
A poucos metros da casa de Ilma moram seus pais Luzia de Jesus Pires, 48, e Gidálio de Souza Pires, 50. Assim como a filha, eles também dependem do café. Compraram geladeira, aparelho de som, TV e até DVD. Tudo conquistado graças aos seis anos de trabalho nas roças de café. “Com o dinheiro que conseguimos neste ano, queremos trocar o telhado que está bastante estragado”, disse Luzia que conseguiu juntar R$ 6 mil com o marido e dois filhos nos últimos seis anos. O marido também sonha em terminar de construir o banheiro que começou há dois anos. “Infelizmente só vou acabar a obra com o dinheiro da próxima colheita”.
De tanto ver os vizinhos que vinham para Ibiraci e voltavam com dinheiro, o casal Maria Aparecida, 33, e Ailton de Jesus, 33, resolveu experimentar. Neste ano vieram pela primeira vez. Acharam o trabalho pesado, mas no fim compensou. “Felizmente conseguimos juntar R$ 3 mil. Vou usar parte do dinheiro para realizar o meu sonho de comprar uma geladeira”, disse Aparecida que promete voltar para Ibiraci em 2007.
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Na colheita deste ano, Aloísio Gomes Rocha, 57, e os dois filhos Luís Carlos, 15 e Maradona, 16, juntaram R$ 4 mil que sustentará a família até a próxima colheita que começa em maio. “Trabalho há três anos em Ibiraci e de lá para cá consegui melhorar a minha casa, comprei móveis e aparelhos eletrônicos. Neste ano realizei o sonho dos meninos de ter um videogame e dois pares de chuteira”, comemorou. A mulher, Gizélia, 36, quer comprar uma televisão maior e já faz planos para o próximo ano: “Com o dinheiro da próxima colheita vamos comprar uma moto”.
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