A grande esperança da diretoria para acabar definitivamente com os problemas da Samello é a venda da Fazenda Sudamata, no Mato Grosso. A propriedade está avaliada em R$ 60 milhões, valor que, segundo a presidência da empresa, é suficiente para zerar todas as dívidas com funcionários e credores. Outras opções paliativas seriam a obtenção de empréstimos bancários ou, ainda, uma rigorosa reestruturação do grupo, que poderia incluir até mesmo demissões.
O empresário não revelou quanto a Samello deve, mas disse que o valor é negociável. Os maiores credores seriam bancos e o governo federal. “Dá para parcelar os débitos, tanto com instituições financeiras como os impostos em atraso. A situação não está tão caótica. Precisamos apenas de uma injeção de recursos para darmos o ponto de partida”. Somente para cobrir os salários em atraso, segundo Miguel Mello Netto, seriam necessários pelo menos R$ 720 mil.
O presidente não descarta qualquer possibilidade para sair da crise, mas reconhece que a venda da Sudamata é a principal opção da empresa. “Tem os dois lados: se por um lado é ruim perder um patrimônio como este, por outro, será uma tranqüilidade muito grande podermos pagar tudo o que devemos para recuperarmos, novamente, nosso poder de investimentos”, disse.
Apesar do alto valor pedido, R$ 60 milhões, Mello Neto acredita que não faltarão compradores para a fazenda, que tem 11 mil alqueires e dez mil cabeças de gado. Entre os potenciais negociadores estariam grandes grupos frigoríficos e usineiros, mas o empresário preferiu não revelar nomes.
“Já temos três interessados. O primeiro, inclusive, visitará a propriedade no domingo (hoje). Acredito que a venda acontecerá logo pela qualidade da fazenda. Além da criação de gado, tem espaço à vontade para cultivar cana, por exemplo”.
Outra frente que vem sendo atacada pela Samello são os empréstimos bancários. Neste caso, o valor pretendido é bem mais modesto: R$ 5 milhões. Mello Neto diz que este montante seria utilizado para quitar apenas os débitos mais urgentes.
“Já fizemos propostas ao BNDES e ao Banco do Brasil e aguardamos respostas. Se der certo, pagamos os funcionários, compramos matéria-prima e colocamos a fábrica para operar a todo vapor. Temos 170 mil pares vendidos e precisamos produzi-los. Seria uma saída paliativa, mas também muito válida.”
Uma terceira opção seria uma grande reestruturação no grupo. Mello Neto não quis detalhar como essa medida seria implantada, mas não descartou atos como demissões e redução na capacidade produtiva. “Nesta situação, todo o enxugamento e sacrifício necessários seriam feitos para que paguemos nossas dívidas. Nada pode ser descartado.”
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