George W. Bush estava todo feliz no dia 17 de dezembro de 2003. Seus soldados haviam achado o Saddam Hussein em um buraco fazia cinco dias e, naquele sábado, ele participaria de uma festa para comemorar tranqüilo os 100 anos do primeiro vôo de um avião.
Mas se o centenário será comemorado apenas na segunda-feira, 23, como pôde o presidente dos Estados Unidos comemorar com três anos de antecedência? Acontece que os americanos falam que eles é que inventaram o avião (e muitos países acreditam).
Mas o Flyer, a máquina que os irmãos Wilbur e Orville Wright construíram três anos antes de o 14-bis deixar os parisienses de boca aberta, precisava de uma catapulta (parecida com um arco de atirar flechas enorme e horizontal) para decolar. A Federação Internacional de Aeronáutica, contudo, diz que para considerar que uma máquina voou, é preciso que alce vôo e aterrisse por seus próprios meios. Para comprovar a coerência da exigência, façamos uma experiência (rimou! hehehe): Rasgue um pedaço da parte que vocês menos gosta deste jornal. Mas se você adoooora o Comércio e quer guardá-lo inteiri-nho, pode pegar qualquer outro papel.
Amasse bem até virar uma bolinha. Pegue-a e jogue-a para o lado que achar mais conveniente. Observe que, antes de cair no chão, a bolinha vai permanecer em movimento no ar por um tempo, mas isso é suficiente para dizer que o que a bolinha fez foi voar? Qualquer coisa catapultada, então, voa!
O 14-bis saía do chão com seu próprio impulso, o flyer não.
Além disso não havia uma única testemunha para comprovar que a máquina dos irmãos Wright voou naquele dia de 1903, ao contrário do que aconteceu na ocasião do vôo histórico de Santos Dumont em 1906.
Bem na festa do “centenário” do “voo” dos irmãos Wright, Bush também não viu a engenhoca sair do chão, pois o flyer falhou, para nosso (sádico e patriótico) contentamento.
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