Dona Zilá: 48 anos de feira livre


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Zilá Barbosa dos Santos em sua barraca de doces na feira livre. É ela quem prepara, conserva e transporta os doces que vende
Zilá Barbosa dos Santos em sua barraca de doces na feira livre. É ela quem prepara, conserva e transporta os doces que vende
São 70 anos de idade, 48 anos como feirante, cerca de 20 horas de trabalho por dia e muita disposição para produzir e vender doces na feira livre. A trajetória da feirante Zilá Barbosa dos Santos, que aniversariou na última quinta-feira, começou ainda na juventude. Aos 22 anos, ela comercializava produtos em bancas montadas nas ruas, com o apoio do marido. Mas desde que ficou viúva, há 12 anos, assumiu as funções e quatro vezes por semana, sozinha, carrega a Kombi e a dirige até os locais de feira. Famosa pelos doces cristalizados, em calda, goiabadas cascão e requeijões que aprendeu a fazer com a mãe, Zilá iniciou a profissão vendendo roupas. Na companhia de amigos, viajava de caminhonete para São Paulo e trazia as mercadorias para comercializar na cidade. “Fui a primeira a montar a banca na Marechal Caxias. Ali o grupo foi crescendo e formando o ambiente da feira.” Na época, ela também vendia doces para conhecidos e, depois de alguns anos, resolveu parar com as roupas e trabalhar apenas com os alimentos. Zilá orgulha-se de ter conquistado o paladar de pessoas conhecidas da cidade. “O Doutor Alfredo Palermo adora o requeijão que faço, o Valdes Rodrigues, Verzola, Pelegrino são outros fregueses de anos. Lamento muito a falta do seu Corrêa (Neves), que também gostava dos meus produtos.” A rotina dela é intensa. Todos os dias, acorda às 4 horas e trabalha até meia-noite. Zilá participa das feiras livres quatro vezes por semana: às quartas-feiras, na Avenida Presidente Vargas, às quintas, na praça do Cemitério da Saudade, aos sábados, na Estação, e domingos, na Avenida Major Nicácio. Nesses dias, ela permanece nos pontos de venda até 13 horas. “Levanto bem cedo, transporto os doces da geladeira para a Kombi e monto a barraca e o encerado com a ajuda de um funcionário. Enquanto era vivo, meu marido dirigia e arrumava a banca, mas depois que morreu, tive de dar um jeito.” Ela sempre trabalhou sozinha na feira, pois o companheiro tinha outra profissão. “Depois que fiquei viúva, muitos falaram para eu parar, desistir dessa vida. Mas achei que, mesmo com obstáculos, deveria continuar. Sou muito persistente e não quero abrir mão das pessoas divinas que conheci aqui”, disse com lágrimas nos olhos. A comerciante perdeu as contas de quantas feiras já fez, mas num cálculo aproximado, considerando os 48 anos e quatro vezes de feira por semana, são mais de 9200. CAPRICHADOS E SABOROSOS Seus produtos são bem aceitos pelos fregueses e Zilá se empenha para manter a satisfação deles. Quando não está vendendo, ela fica em casa preparando os doces de mamão, goiabada, abacaxi, figo e cocadas em tachos de cobre no fogão a lenha, principalmente para os fins de semana, quando vende em dois dias cerca de 30 quilos. O quilo custa, em média, R$ 12. “Tudo que consegui saiu da feira: minha casa, a condução... Foi também com o dinheiro desse trabalho que criei e formei meus três filhos”, disse ela, que prefere não revelar o salário. “Ganho bem. Vendo mesmo.” Apesar das dificuldades, dona Zilá quer continuar feirante. “Hoje mudou muito. A insegurança aumentou e não são todas as pessoas que nos respeitam. É uma luta, mas gosto desse ambiente e vou continuar até a hora que Deus quiser e me der força e disposição.”

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