A Calçados Samello anunciará na próxima segunda-feira qual o destino dos seus 400 funcionários. A empresa está com a produção parada desde segunda-feira e mantém atrasados o salário de setembro e a primeira quinzena de outubro, para desespero dos trabalhadores. O acerto dos pagamentos depende de uma resposta positiva de um agente financeiro, do qual foi solicitado um empréstimo. Uma recusa pode complicar ainda mais a situação.
Ontem, o Sindicato dos Sapateiros se reuniu com diretores da empresa, que explicaram o porque desse impasse. Segundo Paulo Afonso Ribeiro, presidente do sindicato, a crise foi gerada por uma sucessão de equívocos administrativos. Ribeiro disse que a Samello possui patrimônio, mas não tem dinheiro em caixa. “O empréstimo resolveria o problema, pois pagaria os salários atrasados e colocaria dinheiro para fluxo de caixa; em troca a empresa colocaria alguns bens à disposição do credor”.
Conforme foi discutido no encontro, a indecisão acaba na segunda-feira, quando todos os funcionários são convocados a comparecer na porta da fábrica. “Os diretores se comprometeram a explicar a situação e anunciar se farão ou não o pagamento”, revelou o sindicalista.
De acordo com funcionários, o prazo final para essa explicação era ontem. “Não sabemos se voltaremos a trabalhar, fomos dispensados e não houve mais nenhuma manifestação da empresa”, disse um empregado que preferiu não se identificar.
Antes da situação se agravar, eram produzidos mais de 2,5 mil pares de calçados por dia.
SUFOCO
Para contornar a falta de dinheiro, muitos funcionários começaram a procurar outras ocupações. Segundo um deles, que pediu para ter a identidade preservada, prestação da casa, contas de água, luz e telefone, despesas do supermercado e carnês de grandes lojas da cidade são dívidas em atraso. “Preciso ganhar alguma coisa, mesmo que pouco, pois já ajuda na hora de fazer uma compra. Outros conhecidos também buscaram um bico, como garçom ou ajudante de pedreiro”.
Ele conseguiu um trabalho de dois dias como jardineiro. “O problema só não é maior porque minha mulher trabalha em uma banca de pesponto. Mesmo assim peço todos os dias pela recuperação da empresa.”
O sapateiro tem dois filhos pequenos e mais de 40 anos. “Se perder esse emprego, com certeza, terei dificuldade para conseguir outro, por conta da idade”. O funcionário trabalha há mais de dez anos na Samello.
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