Um muro de arrimo com 6 metros de altura e 12 metros de comprimento ameaça pelo menos cinco casas e 18 moradores no Jardim Aeroporto I. A parede começou a ceder há anos, mas a situação se agravou com a enxurrada da última quarta-feira. O risco de desmoronamento é iminente.
A dona de casa Maria Aparecida Davanço, 45, moradora da Rua Maria Conceição Machado, está desesperada e teme pela vida de sua família, que divide o mesmo terreno. “Estou em pânico. Fico com medo pelos meus quatro netos. O engenheiro já avisou que a qualquer estalo é para a gente sair correndo. Passei a noite de ontem (anteontem) e a madrugada de hoje (ontem) em claro velando o muro, que está tombando sobre nós.”
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Anteontem, o arquiteto da Prefeitura, Franco Pereira, e os bombeiros vistoriaram a parede, interditaram as residências e avisaram os moradores para as desocuparem. “Eles falaram que a casa está condenada porque pode ser soterrada.”
Até ontem à tarde, ela não queria deixar o imóvel, mas, com a chuva constante, o muro envergou mais e a família mudou de idéia. “Vou para algum parente e amanhã (hoje), se conseguir algum caminhão, venho buscar meus móveis. Tenho de salvar o que consegui com tanto sacrifício”, disse a dona de casa.
A área de risco envolve pelo menos cinco casas. Três no terreno da família de Maria e duas nos fundos. Para construir os imóveis vizinhos, localizados na rua de cima da casa de Maria, foi preciso aterrar o local, pois o desnível era grande. No local foram depositados cerca de 200 caminhões de terra.
O arquiteto explicou que as casas da família Davanço não correm risco de desmoronar, mas com a queda da parede de seis metros seriam soterradas.
O risco é maior com a chuva. A água encharca a terra do local e aumenta a pressão sobre o muro. “Medi o rachado no chão, que está cedendo, e de ontem (quarta) para hoje (quinta), a fenda já abriu 21 centímetros. Se continuar assim, vai levar tudo”, disse o vizinho Lucas de Souza, 21, auxiliar de laboratório de fotografia desempregado.
Para diminuir o peso sobre a parede, técnicos orientaram os moradores a retirarem parte da terra manualmente. “Sei que é um caso particular, mas não temos como pagar. Aqui e nos vizinhos, a maioria dos moradores está desempregada. Queria que a Prefeitura fizesse uma caridade por nós”, pediu Maria. O município avaliará se poderá fazê-lo.
O problema dos moradores do Aeroporto I de viver sob risco de desabamento de construções é recorrente na cidade. Toda época de chuva, há ocorrências do tipo. Valéria Marson, secretária de Obras, declarou que isso ocorre em razão da falta de cuidado durante as construções. “Muitos imóveis são erguidos sem projeto e sem acompanhamento profissional. A Prefeitura não tem como assumir toda construção malfeita.”
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