A Polícia Federal prendeu, ontem, dez integrantes de uma quadrilha especializada em aliciar e encaminhar travestis para a prostituição na Europa. Denominada “Caraxué”, a operação foi realizada durante a madrugada em três Estados diferentes. Entre os envolvidos está Marcelo Carrijo, 30, preso pelos agentes federais no Jardim Seminário, em Franca. As investigações continuam e podem ter novos desdobramentos e mais detenções.
Policiais monitoraram os suspeitos durante três meses a partir de denúncias de aliciamento na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em Minas Gerais. O esquema seria liderado pelo travesti conhecido como Lorraine, que reside atualmente em Uberlândia. Ele já morou na Itália, onde possui uma casa que abriga pessoas que se prostituem em Milão. A quadrilha também recrutava travestis para se prostituírem na Espanha.
Os recrutados ficavam abrigados na casa dos agenciadores e pagavam uma taxa pelo uso do “ponto” aos proprietários. Para embarcar, desembolsavam cerca de R$ 35 mil, rumo à França ou Holanda, e depois seguiam de ônibus ou de carro para Milão ou Madri. As investigações mostraram que, apenas neste ano, cerca de 40 pessoas foram levadas pelos acusados ao exterior para se prostituírem.
Diante das provas apuradas, a Justiça Federal de Uberlândia concedeu os mandados de prisão, cumpridos simultaneamente em Uberlândia, São Paulo, Franca e Florianópolis (SC). Marcelo Carrijo foi preso em uma residência da Rua Francisco Carloni, zona leste de Franca.
“Ele é suspeito de envolvimento com o tráfico internacional. Seria um dos aliciadores. Vamos ouvi-lo para esclarecer sua real participação. Até o momento, não levantamos nenhum travesti agenciado em Franca”, disse ao Comércio o delegado da Polícia Federal de Uberlândia, Marinho Silva Rezende Júnior.
O nome escolhido para a operação, “Caraxué”, significa proxeneta, ou seja, aquele que vive da prostituição alheia.
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