Com a barriga aberta, Noel espera por cirurgia há 45 dias


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Noel Santos mostra a cirurgia e diz que situação é terrível: “Não agüento mais essa espera”
Noel Santos mostra a cirurgia e diz que situação é terrível: “Não agüento mais essa espera”
Deitado ou sentado, sem poder andar e totalmente dependente dos filhos. Assim é o dia-a-dia do ensacador Noel Mendes Santos, 62, que há 45 dias espera uma autorização para fazer uma cirurgia de reversão do intestino, que está parcialmente exposto, e retirada de hérnia. “O médico colocou no laudo que a cirurgia era urgente. Mesmo assim o NGA (Núcleo de Gestão Administrativa de Saúde) não tem previsão de quando será realizada”, disse a filha Silvana Mendes Santos. Em abril do ano passado, Santos teve um rompimento no intestino e foi submetido a quatro cirurgias para corrigir o dano no espaço de 15 dias. A família não sabe explicar o que provocou a ruptura. “Os médicos disseram que foi por causa da ingestão de medicamentos para tratar um problema na coluna”. Noel, agora, deveria enfrentar mais uma operação. Desta vez, para a retirada da hérnia que se formou em sua barriga por ele ter ficado sem se movimentar e para reverter a colostomia - procedimento que retira o intestino para combater infecções no local - feita na época. “Queria fazer logo essa cirurgia para não ficar mais carregando o meu intestino dentro de um saquinho. É muito ruim”, desabafou. O problema é que Noel não consegue obter da prefeitura a autorização necessária para que ele possa ser operado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O pedido médico solicitando urgência na autorização foi protocolado no NGA há 45 dias, mas até agora não obteve resposta. A família desconhece os motivos porque a autorização ainda não saiu. “Ninguém sabe o que responder. É muito descaso. Somos pobres, mas temos direito de ser respeitados”, disse a filha. Morador do bairro Estação, pai de Silvana, 36, Sílvia, 30 e Paulo, 32, e recebendo um auxílio-doença no valor de R$ 350, Santos vive com dificuldades. “Não posso trabalhar, pois ele depende de nós para tudo. Não fica sozinho nunca. Tenho que dar banho, comida, levar do quarto para a sala. Só queria que meu pai fosse atendido”, disse Silvana. O irmão de Silvana está desempregado e Sílvia trabalha em casa fazendo bordados. Procurada para explicar o caso, a assessoria de imprensa da Santa Casa informou que recebeu na tarde de ontem a autorização para a cirurgia, só não sabe quando ela será realizada. “Entraremos em contato com o médico do paciente, que marcará a operação de acordo com sua agenda. Em seguida, a família será avisada”, afirmou a assessora de imprensa, Jacinta Sad. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, não atendeu as ligações feitas pela reportagem do Comércio para a sua pasta na tarde de ontem. Sua secretária informou que ele estaria “ocupado”, mas que retornaria ao telefonema. Além das ligações, Ferreira não respondeu ao e-mail que lhe foi enviado para que explicasse sobre a demora na liberação da autorização para a cirurgia de urgência.

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