Ver um conterrâneo vencer o GP do Brasil é um dos desejos de Carlos Henrique Gonçalves, 23. Quando o assunto é esporte, velocidade é o que mais atrai esse funcionário público que começou a acompanhar a Fórmula 1 quando ainda tinha 9 anos e se admirava com as performances do tricampeão Ayrton Senna, último campeão da prova, há longínquos 13 anos. Após mais de uma década assistindo tudo de longe, esse francano realizará um sonho neste sábado, a partir das 10 horas. Pela primeira vez, ele será um dos milhares que estarão sentados nas arquibancadas do autódromo de Interlagos, em São Paulo. Sua intenção é acompanhar tudo, dos treinos livres à corrida no domingo.
“Sou desses do contra. A minha preferência é pela Fórmula 1, depois é o basquete e, em seguida, vem o futebol. E isso até porque o meu time, o Coríntinhas, também não está tão bem, infelizmente”, elencou.
Admirador da equipe Honda e com certa inclinação ao piloto brasileiro Rubens Barrichelo, o rapaz sairá da rodoviária do Jardim América, em Franca, a 1 hora de sábado e ficará na casa de um amigo, que trabalha com ele na agência da Previdência Privada de Franca, em Suzano.
O ingresso comprado por Carlos e o colega, Arthur da Silva Barbosa, 21, é para o setor G, que custa R$ 280 e é o mais barato. “Eu e o Arthur pagamos metade porque conseguimos desconto. Por mim, queria perto da linha de chegada, mas estava caro demais.” Nesses setores (M e B), os valores variam entre R$ 780 e R$ 1,015.
Apesar de Carlos ter esperado tanto tempo para assistir a uma corrida, ele escolheu a disputa mais importante até hoje do GP Brasil. Nunca houve tanta coisa em jogo. Será neste domingo que um dos maiores pilotos, Michael Schumacher, se despedirá das pistas; o título da temporada será definido entre o alemão e o espanhol Fernando Alonso; a montadora campeã de 2006 será conhecida e haverá o término do fornecimento conturbado da Michelin a algumas equipes.
“Preferiria ver o Barrichello no pódio e se chover, as chances dele serão boas. Schumacher e (Felipe) Massa não são os melhores com pista molhada. O Alonso parece que correrá com dois motores e na última vez que fez isso (GP da China) parou”, analisou.
Ao comentar a oportunidade de acompanhar a última corrida de Schumacher, ele surpreendeu. “Sem ele, ano que vem deve melhorar a Fórmula 1. Com o Michael, as provas não tinham tanta competitividade. O Rubinho não podia passar, agora é o Massa.”
Ele levará filmadora e máquina fotográfica para registrar tudo e, de quebra, capa de chuva e o protetor auricular na bagagem. Em todas os 15 setores do autódromo, é esperado um público de 150 mil pessoas. Quem estiver como novato nesse GP, como Carlos e Arthur, podem saber como é a visão de todos os locais da pista por meio de sites como o www.gpbrasil.net e o oficial da prova, www.gpbrasil.com.br. (Rodolfo César)
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