Todos os dias pelo menos 30 pessoas começam a trabalhar com carteira assinada em Franca. A indicação é do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, e tem por base os empregos formais registrados de janeiro a agosto de 2006.
De acordo com os dados, que contradizem a suposta crise que assolaria o setor couro-calçadista neste ano, a indústria de transformação, que inclui o segmento, ainda é a atividade que mais emprega. Foram mais de 4500 postos de trabalhos criados com renda média de R$ 617,58 mensais. Na seqüência, aparecem o setor comercial e os serviços com 1560 empregos criados e a agropecuária com 686 vagas.
Comparados ao mesmo período dos últimos sete anos, os números são 25% maiores do que 2005 e ocupam a quarta posição da tabela (confira quadro nesta página). “O nível de emprego na cidade tem se mantido positivo apesar da crise no setor calçadista. Não está ruim, mas é preciso mais medidas de proteção para a indústria voltar a progredir e gerar novas vagas”, disse Jamil Leonardi, subdelegado do Ministério do Trabalho em Franca.
Desde 2000, o ano de 2004 foi o que apresentou maior índice de emprego formal, com a criação de 14390 postos de trabalho, quase o dobro do atual período.
Segundo Leonardi, as multinacionais Carrefour, Wal-Mart e C&A foram algumas das responsáveis por engrossar a lista em 2006 e deixar o resultado satisfatório.
O ritmo de crescimento dos empregos também seguiu o da abertura de novas empresas na cidade. Durante os oito meses analisados, foram criados 1704 novos estabelecimentos para as 7530 admissões realizadas.
A balconista Dayane Beloti, 17, por exemplo, depois de um ano parada, conseguiu um emprego fixo e com carteira registrada na franquia da Casa do Pão de Queijo aberta com a chegada do Wal-Mart. “Deixei a informalidade com uma boa colocação. O emprego veio em boa hora”, disse.
sazonalidade
Para o professor de História Econômica da Unesp/ Franca (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), Pedro Geraldo Tosi, as contratações são fruto de uma retomada da economia e demonstram que essa vive da sazonalidade. “Há períodos em que não existem investimentos na cidade, já em outros ocorrem centenas de contratações”, explicou.
De acordo com Tosi, a indústria calçadista estava estagnada e agora começa a reagir em razão das recontratações por fechamento de pedidos.
“Os números podiam ser ainda melhores, mas o real valorizado atrapalhou os calçadistas”, finalizou o professor.
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