A salvação da República


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Os brasileiros escolherão no dia 29 entre duas vias. A primeira é a reacionária, vinculada à oligarquia agrária, à burguesia industrial, ao conservadorismo cristão. Esses são representados pela aliança de partidos conservadores (PSDB e PFL), com adesão de outros, como o PPS. A outra opção é a da manutenção da mudança gradual, da conciliação de interesses, da ampliação do acesso aos direitos republicanos a setores sociais antes marginalizados. Essa opção é encabeçada pela aliança entre PT e PC do B, além do PRB. É evidente a permanência das clássicas distinções entre esquerda e direita. Como “tipos ideais” e como hegemonização de classes sociais em torno das candidaturas. No cenário eleitoral a direita se manifesta pela difusão de preconceitos, como na fala de Bornhausen, do PFL, ao afirmar que deveriam acabar com “essa raça” do PT. No plano político aprofunda a desigualdade e a segregação da maioria. Aplicam apenas uma democracia formal. Nessa perspectiva não há dúvida em apontar o caráter de centro-esquerda da candidatura Lula. Mais ainda, seu caráter democratizador da República, antes restrita a pequenos círculos políticos e sociais. Esse governo contribuiu para uma redistribuição de renda em nível nunca visto antes. Também retomou o investimento público, a valorização do Estado como indutor e implementador do desenvolvimento, da democracia política e da justiça social, perspectiva repudiada pelos neoliberais do PSDB e PFL. Combateu a corrupção, oriunda de uma lógica ancestral que considera o “jeitinho” algo positivo. Corrupção essa semeada por uma elite econômica e política que historicamente sempre tratou o que era público como se fosse sua propriedade. No tocante à soberania nacional, recuperamos a credibilidade internacional, aproximando-nos da América Latina, da Ásia e da África. Hoje não dependemos oficialmente do FMI, temos auto-suficiência em petróleo, investimos em novas matrizes energéticas, escolhemos nosso próprio caminho de desenvolvimento e de afirmação de nossa soberania. Reafirmo a distinção entre esquerda e direita, em torno de projetos que afetam também nossa soberania. Isso fica evidente em questões como a instalação de uma base militar dos EUA no Brasil (projeto do PSDB), nas negociações para adesão do Brasil à Alca (inviabilizada por Lula), no avanço da Reforma Agrária, na não criminalização dos movimentos sociais, na valorização do Estado e de suas empresas (como a Petrobras), no abandono da concepção neoliberal da educação, que previa a cobrança de mensalidades nas Universidades Públicas (projetos do PFL), inviabilizada por Lula. A questão chave hoje não é apenas política. Alçar a República a patamares de justiça, igualdade e democracia efetiva é a principal tarefa do próximo governo. E nisso, a candidatura de Alckmin mostra suas limitações, por ser excludente, discriminatória e entreguista. Seus apoiadores do PFL defenderam, no Congresso, uma saída golpista para as crises políticas recentes pondo em risco as liberdades democráticas, as conquistas sociais e a República. Hoje apenas a candidatura Lula representa o aprofundamento e fortalecimento das instituições democráticas e da amenização das desigualdades sociais brasileiras. Senão para todos, ao menos para a grande maioria dos brasileiros, uma vez que consenso não se impõe, se pactua! TITO FLAVIO BELLINI é doutorando em História pela UNESP, professor de ‘Brasil’ pela FAFIBE, e de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano.

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