Funcionários da Samello param. De novo


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Linha de produção da Samello vazia em recente protesto de funcionários. Ontem a situação se repetiu e trabalhadores voltaram para casa
Linha de produção da Samello vazia em recente protesto de funcionários. Ontem a situação se repetiu e trabalhadores voltaram para casa
O setor de produção da Calçados Samello parou ontem pela terceira vez em quatro meses. Sem salários desde o dia 5 de outubro e com medo de não receberem a quinzena na sexta-feira, 20, os 400 funcionários do setor cruzaram os braços. A paralisação foi tranquila. Sem nenhuma manifestação na porta da indústria, todos voltaram para casa. Os diretores da empresa não foram encontrados pela reportagem para informar quando os pagamentos serão realizados. Aos trabalhadores, a direção da empresa alegou estar buscando uma saída para o acerto, mas nada podia fazer para impedir a greve. Esta não é a primeira vez que funcionários da Samello cruzam os braços. Desde fevereiro eles vêm fazendo greves relâmpago em protesto aos atrasos. “A situação havia se normalizado, mas, de repente, voltaram a atrasar o pagamento. Não dá para ficar nessa situação”, lamentou um funcionário da linha de produção que preferiu não se identificar. De acordo com esse mesmo funcionário, os trabalhadores voltam a se reunir na manhã de hoje e, caso a empresa não faça o pagamento, a produção continuará parada. A cada paralisação, a empresa deixa de produzir cerca de 2,5 mil pares de calçados. Os pedidos existem e, segundo os próprios funcionários, a empresa não está conseguindo comprar nem mesmo matéria-prima para atendê-los. “Me parece que a solução está na venda de uma fazenda no Mato Grosso, mas alguns entraves burocráticos e a greve nos bancos atrapalharam o negócio. O presidente da empresa está em viagem e nós esperamos que essa viagem seja para solucionar essa situação”, disse um funcionário. A crise não está restrita ao setor de produção. Para os funcionários ligados à administração, a situação é ainda pior. Eles estão com dois pagamentos acumulados, mas não vão parar os serviços. DEMISSÕES Os funcionários da Samello acreditam que as demissões seriam a melhor saída hoje. “Não adianta trabalhar e não receber. É preferível que eles demitam. Assim ficamos livres para conseguir outro emprego. Estamos amarrados aqui”, desabafou um trabalhador da linha de produção. Dentro da empresa, funcionários falam até mesmo em demissões voluntárias caso a situação não seja contornada. A reportagem do Comércio tentou entrar em contato com o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, mas segundo sua secretária ele está viajando.

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