A dona de casa Fátima Andrade Pires, 52, fundou e preside a ONG Secos e Não Molhados. À frente da entidade, realiza um trabalho brilhante e sério. “Fazemos as fraldas como se fossem para nossos filhos, com amor e energia positiva.”
Comércio - Por que montar uma ONG de fraldas?
Fátima Pires - Há 15 anos, trabalhei como voluntária em asilos para dar banho nos idosos. Ao trocar a fralda de pano, ela grudava na pele deles e eu tirava pedaço de vô e de vó. Percebi que a fralda descartável é curativa. Pode ser luxo para os saudáveis, mas para os doentes é uma necessidade. Um dia, uma amiga me mostrou um anúncio no Comércio sobre a venda de uma máquina de fazer fraldas. Compramos o equipamento e, com algumas amigas, comecei a fazer fraldas para vovôs dos asilos.
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Comércio - Qual a trajetória da Secos e Não Molhados?
Fátima - Resolvemos ampliar o atendimento para crianças também e montamos a ONG há cinco anos no quintal da minha casa para aumentar a produção. Trabalhamos lá por anos, até que os carros precisaram ficar na rua porque a garagem estava ocupada com as fraldas. Em 2001, o senhor Francisco soube do sufoco que estávamos passando e nos emprestou um barracão. Passamos três anos lá, mas o local não tinha forro, nem piso e era inadequado para o tipo de produto que fazemos. Conseguimos esse prédio (no Centro) da Sociedade São Vicente há dois anos.
Comércio - Por que não estender a distribuição de fraldas da ONG para famílias?
Fátima - Atendemos apenas entidades, pois não temos condições financeiras nem humanas para doar a particulares.
Comércio - Por que continuar com esse trabalho?
Fátima - Fazendo o bem, vivo melhor. Tenho problemas, é claro, mas consigo enfrentá-los com mais serenidade. Essa atividade é uma verdadeira terapia. As mãos não param, conversamos e rimos o tempo todo.
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