Plástico, manta virgem com gel, filtrante, fitas adesiva e decorativa, elástico, cola, higiene, dedicação e amor. Essas são as matérias-primas mais usadas pela ONG Secos e Não Molhados, nome sugestivo dado à oficina da solidariedade que confecciona fraldas descartáveis destinadas a seis instituições assistenciais de Franca e região.
As cerca de 20 mil peças mensais nascem das mãos de 150 voluntários, que se reúnem duas vezes por semana em um prédio emprestado no Centro da cidade. As fraldas pediátricas são destinadas para a Santa Casa e às mães que levam crianças para serem tratadas no ambulatório DST/Aids; as geriátricas, feitas em parceria com hospitais de Franca, que doam a matéria-prima, são destinadas aos pacientes dessas instituições; já as fraldas com adaptações específicas são entregues para 48 famílias de portadores de necessidades especiais cadastradas no Instituto Democrata.
Na oficina da solidariedade, trabalho não falta. Os colaboradores costumam ficar dez horas por dia nas máquinas, no acabamento e empacotamento das peças. Os gastos para manter a rede de produção, e de distribuição e arcar com a manutenção do prédio são de R$ 2.500 mensais. Hoje, nove empresários do setor calçadista doam R$ 900 no total para ajudar a organização. Até há alguns meses, eram 13 pessoas, mas com os problemas nas indústrias de calçados, algumas suspenderam a contribuição. O restante da receita é completado com promoções e doações anônimas. Fátima Pires, 52, fundadora e presidente da Secos e Não Molhados, disse que é comum encontrar envelopes debaixo da porta da ONG e na caixa de correio de sua casa com dinheiro. “Eles doam porque confiam no nosso trabalho. Sabem que a ajuda será realmente revertida para fraldas.”
A luta para conseguir recursos aliada à paixão pelo voluntariado não poderia ter outro resultado senão um trabalho impecável. “Higiene é fundamental, pois nosso produto se destina a pessoas debilitadas. Temos de ter respeito por elas. Fazemos as fraldas como se fossem para nossos filhos”, disse Fátima.
ESSENCIAL
O sentimento dos que ganham as fraldas descartáveis é de gratidão. A dona de casa Silvana Alves, 36, moradora do Jardim Aeroporto IV, é uma das beneficiadas com a produção da ONG há dois anos.
Mãe de cinco filhos, não tem condições de comprar fraldas descartáveis para a quarta filha, Ana Paula, 5, que é especial. Ao nascer, o cordão umbilical enrolou no pescoço, ela sofreu anoxia neonatal e perdeu a coordenação motora, não fala e não anda. “A fralda me ajuda muito, pois não tenho como comprar. Às vezes, falta dinheiro até para remédio, imagine então para fraldas? A de pano é ruim porque assa e na minha casa nem tem espaço para secar”, disse Silvana.
A família ganha 112 unidades por mês. Ana Paula usa em média quatro por dia. “Economizo bastante com doações da ONG. Acho que gastaria R$ 80 por mês se fosse comprar.”
A dona de casa não pode trabalhar, pois tem de cuidar dos cinco filhos e das tarefas domésticas. O marido é ajudante de eletricista e, quando tem emprego, consegue R$ 30 ao dia. A família conta com auxílio do INSS (R$ 350) e Bolsa Família (R$ 95). “Sou muito agradecida aos voluntários”, completa Silvana.
A vice-presidente da entidade, a dona de casa Luzinete Barbosa, reconhece a importância da ajuda ao próximo e conta com a contribuição de mais pessoas. “Isso aqui é minha vida. Trabalhamos por uma causa justa. Sei que precisam da gente.”
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