Sofrimento, dor e paixão


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VIDA DE CORINTIANO - O comerciante Elison Fernandes olha para seu papagaio verde (‘ele é torcedor da Francana e não do Palmeiras’, afirma), famoso por ‘cantar’ o hino de seu time do coração
VIDA DE CORINTIANO - O comerciante Elison Fernandes olha para seu papagaio verde (‘ele é torcedor da Francana e não do Palmeiras’, afirma), famoso por ‘cantar’ o hino de seu time do coração
Derrotas sucessivas, discussões entre treinador e jogadores e uma iminente queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A terrível fase que o Corínthians atravessa também mexe, e muito, com os milhares de corintianos de Franca. O martírio é grande e as gozações variadas. É o caso da dona de casa Corinthiana Bueno, 52, moradora do Bairro City Petrópolis. Apaixonada pela equipe do Parque São Jorge, ela não esconde a tristeza e a mágoa por ver sua equipe nesta situação. “Entregaram o Corínthians para a MSI de mão beijada e estão fazendo o que querem lá dentro. Esqueceram da torcida, o maior patrimônio do clube. E o resultado está aí, time ruim, quase na segunda divisão. Mas não vamos cair, o Leão vai fazer uma faxina no elenco e vamos ficar na primeira divisão”. Casada com um são-paulino, ela já conta até com sua benevolência. Segundo ela, até o marido acha que a arbitragem vem prejudicando o time alvinegro. Quem também sofre com a turbulência no Parque São Jorge é o comerciante Elison José Fernandes, 59, o “Kpeta”. Corintiano fanático, ele faz questão de mostrar seus amuletos: a carteirinha de sócio do clube e o papagaio conhecido por “cantar” o hino da agremiação. Sem pestanejar, declara que o Timão não cai para a segundona. E dá a receita: “Os jogadores têm que acreditar sempre, não se pode perder a fé! Basta terem vergonha na cara que o time não cai!”. Sobre as piadinhas com a fase do Corínthians, ele não consegue tempo sequer para responder a pergunta. Acostumado a olhar a rua detrás do balcão de sua loja, ele, antes de falar, apenas ouve um grito vindo do interior de um veículo: “ô corintiano, vai cair, héin”. A vida é assim. Daniel Augusto Moreira, 30, contato comercial do Comércio da Franca, não acredita no descenço do Corínthians para a segunda divisão. E a razão é simples: “O Timão é incaível (sic). O Leão fará uma faxina no time e os meninos que têm sangue corintiano nas veias vão salvar a equipe”. O cabeleireiro Ednilson Rodolfo da Silva, 35, o “Dê”, prefere nem assistir aos jogos do alvinegro: “Ontem (domingo), quando terminou o primeiro tempo e o Flamengo vencia por 2 a 0, fui assistir a um filme com a minha mulher. Depois fiquei sabendo que tomamos mais um gol”. Como se não bastasse a série de derrotas de seu time, ele ainda é obrigado a aturar as brincadeiras de amigos. Ele inclusive já chegou mais tarde no serviço a fim de evitar que os “amigos” lhe incomodassem após as derrotas do time. Também recebeu presentes sugestivos. “Dias atrás, o Corínthians era o último colocado no campeonato. Cheguei no meu salão e encontrei um embrulho. Quando abri, tinha uma lanterna.” Mas como bom corintiano que é, Dê enxerga uma luz no fim do túnel: “Temos mais cinco jogos em casa. Se conseguirmos estes 15 pontos, o Timão escapa da degola.”

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