Cultura arqueológica


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Há cerca de um mês, 200 pessoas demonstraram interesse em participar de um programa de “educação arqueológica” desenvolvido na cidade. Foi apenas uma semana de atividades, mas o sucesso foi tanto que os organizadores decidiram ampliar o curso. Nesta quarta-feira começa o “Curso de Capacitação em Projetos de Arqueologia Sustentável: Patrimônio Cultural, Métodos e Técnicas Arqueológicas e Museologia”, que terá duração de dois semestres com aulas a cada 15 dias. Esse trabalho tem como objetivo capacitar estagiários para os projetos em arqueologia e também fornecer subsídios para quem tiver interesse em pós-graduação nas áreas afins. Segundo o arqueólogo Marcelo Pini Prestes, grande mentor desse projeto e principal professor do curso, pode-se dizer que essa nova empreitada é uma continuação, um aprofundamento do trabalho desenvolvido há dois meses. Ao todo, são oferecidas 20 vagas iniciais, já preenchidas por pessoas que haviam participado do primeiro programa. Esse curso é uma parceria da Divisão de Cultura, através do Arquivo Histórico Municipal “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro”, com o MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP) e o Grupo Complexus da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). A idéia de fazer um trabalho de educação sobre o patrimônio arqueológico em Franca surgiu porque a região é considerada um local rico em vestígios arqueológicos. Ainda não há, porém, nenhum estudo sistemático disso. O único pesquisador que trabalhou nesse sentido foi José Anthero Júnior, em 1957. Ele fez uma coleta de superfície e, com o material recolhido, formou um dos maiores acervos do Estado de São Paulo, hoje guardado na reserva técnica do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. Lá estão urnas funerárias, machados, colares de contas, cristais, pontas de flecha de quartzo rosa, branco e fumê, entre outros artefatos que pertenceram a povos que viveram nessa região. Acredita-se que há 6 mil anos já havia habitantes por aqui. Com esse curso, Prestes espera que, em um futuro próximo, seja possível retomar as pesquisas de Anthero e criar um centro de referência em estudo arqueológico na cidade. Mas, para isso, é preciso que haja um sólido trabalho educacional da população. “Se não houver uma capacitação com os moradores, não adiantará nada termos o centro na cidade”, diz. Infelizmente, o trabalho arqueológico ainda é visto como algo exótico e, por muitas pessoas, sem utilidade. Não é à toa que, sempre que se encontra um novo sítio arqueológico, há saqueadores de plantão para retirar o material do local. Mas, ao contrário do que se pensa, a descoberta e preservação desses vestígios são fundamentais para que se possa, por exemplo, explorar o turismo patrimonial dos municípios, como acontece com freqüência em países europeus.É o que se chama de turismo sustentável, ou seja, você preserva mas faz aquilo ter alguma utilidade, gerar riquezas para o município, Estado ou País. ESTRUTURA DO CURSO O curso de capacitação em arqueologia usará vários recursos pedagógicos para ampliar o conhecimento dos alunos: trabalho de campo; trabalho em laboratório; trabalho museológico; estágio supervisionado; e Trabalho de Conclusão de Curso. O conteúdo programático inclui uma introdução à problemática da paisagem e meio ambiente; panorama histórico da arqueologia; técnicas e conceitos museológicos; sustentabilidade, entre outros. Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail: arquearqui@uol.com.br

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