No centro das atenções e principal palco das corridas hípicas devido à segunda semifinal do Campeonato Regional Hípico, o município de Cristais Paulista está dividido entre os torcedores do Areia e da equipe que leva o nome da cidade. Esses dois grupos chegam a colocar 25% da população de quase 8 mil habitantes em um campo para assistir a uma disputa. Mas essa concorrência diminuiu, ao menos na casa do corredor do Cristais José Carlos de Paula, com 32 anos de história no clube.
Neste lugar, moram Zizo, ou José Alexandre de Paula, 20, e Fernandinho, que é Fernando Henrique de Paula, 18, dois irmãos que convivem juntos mas nem pensam em falar de cavalos como sempre faziam, já que o primeiro defende o Cristais Paulista há seis anos e o mais novo vestiu a camisa do arquirival Areia em janeiro de 2006.
“Existe sim aquele pedido do pessoal da equipe para não falar muito dos animais e do clube. É a concorrência”, revela Zizo, que influenciou a iniciação do irmão nessas competições hípicas. “A gente parou um pouco de falar, mas as corridas hípicas ainda são o assunto da casa”, brincou Fernandinho.
Os dois garantem que a rivalidade fica apenas dentro das pistas. Mas para colocar mais pólvora nessa situação, eles disputam a mesma prova, a do chapéu. Esse, inclusive, é um dos momentos mais competitivos porque é a última etapa a ser realizada e, muitas vezes, fator de desempate.
Na prova do chapéu, o cavaleiro corre até uma ponta da pista, salta no chão para pegar o objeto, retorna ao cavalo e precisa chegar à largada primeiro que o rival.
“Ainda não corremos um contra o outro. Talvez nessa semifinal aconteça”, disse Zizo. Mas na hora de um ou outro falar quem iria vencer, preferem não polemizar. “Tem que ver”, desconversou Fernandinho, o mais tímido.
Fernando de Paula só trocou de clube, após quatro anos treinando no Cristais, porque junto com o convite de integrar no novo clube, também conquistou um emprego. Deixou de trabalhar no sítio do pai e passou a aprender o ofício de fundição em uma fábrica do Distrito Industrial, em Franca. “Comecei em janeiro e estou aprendendo ainda. Esse emprego que influenciou minha decisão”, disse o corredor.
Quem acaba sofrendo com essa divisão no próprio lar é a mãe dos dois, Maria Aparecida Eleutério de Paula, 50. Ela acompanha corridas hípicas há 25 anos e, apesar de ter dois corredores preferidos em diferentes equipes, tem a paixão pelo Cristais Paulistas. “Torço pelos meus filhos, mas quero mesmo é que o Cristais ganhe.”
Quem lamenta mais é o presidente cristalense, José Carlos Raiz, 67.
“Ficamos tristes quando ele saiu. O que foi bom é que com o Fernandinho lá criou-se uma relação maior com o outro clube, afinal os dois são da mesma cidade.”
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