Em muitos bairros periféricos de Franca, tempo fechado é sinal de problemas. Para quem mora nos extremos da cidade e não conta com asfalto ou rede de água e esgoto, quando as nuvens escurecem e começam a se amontoar no céu, o jeito é torcer para que, pelo menos, a chuva seja breve e mansa. Mas, nos últimos dias, as “preces” não têm sido atendidas e a esses moradores restam os transtornos trazidos pelas pancadas, que se traduzem em muita lama e barro nessas ruas sem asfalto.
A cozinheira Lídia Nogueira, 45, moradora do Jardim Parati, sabe bem o que é ficar ilhada, cercada de barro por todos os lados. “Ficamos trancados dentro de casa. Não chega ninguém e não sai ninguém. A lama não deixa”, disse ela na tarde de ontem, no dia seguinte ao da chuva, quando ainda esperava que secasse o barro que tomou conta da rua em que mora.
Quando chove, o carro da família de Lídia perde a utilidade. “É automático: saiu, atolou. A outra saída seria por trás do prédio, onde tem menos barro, mas aí você tem de passar duas sarjetas enormes com o carro e arriscar a quebrá-lo. Não temos para onde correr.”
Até mesmo para pegar um ônibus está difícil. O ponto para quem pretende ir ao Centro da cidade fica justamente onde o barro mais se acumula e chega a 15 centímetros de altura. “Os ônibus tiveram de mudar a rota para a rua de trás para não atolar. Para chegarmos lá temos de atravessar o lamaçal ou dar uma volta enorme”, disse Lídia.
A Prefeitura começou a asfaltar as ruas do bairro, mas para os moradores do conjunto habitacional, na época errada. “Mexeram e remexeram nesta terra toda durante o tempo seco e não virou nada. Só levantou poeira, que deixou muita gente doente. Agora que todo mundo sabe que é época de chuvas, fica todo este lamaçal aqui, parado. Parece que a Prefeitura faz tudo ao contrário”, disse a dona de casa Joana D’Arc da Silva.
Não é só quem vive no Jardim Parati que sofre com o lamaçal. No outro extremo da cidade, na zona oeste, quem sofre são os moradores do Recanto Ouro Verde. Lá a situação é ainda pior. O bairro foi construído em uma baixada e, além de não ter asfalto, não tem guias nem galerias de água e esgoto. “Meu marido trabalha à noite e, em períodos chuvosos, tem de passar pelo inconveniente de parar o carro em um local ermo, a 200 metros de nossa casa, com medo de não ter como sair de casa de tanto barro. Moramos aqui há 18 anos e já perdi a esperança de ver o asfalto chegar até a gente”, disse a dona de casa Eliana Silva, 40.
Seu vizinho, o aposentado Antônio Carlos Nascimento, 58, teve arrancada a base de sustentação de sua cerca. “A cada chuva, o prejuízo aumenta um pouco mais”, lamentou.
Se depender dos céus, o problema não deve terminar nos próximos dias. Segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), as chuvas continuam no fim de semana. A previsão é que o sol só apareça na cidade entre segunda ou terça-feira. Até lá, Franca terá tempo chuvoso.
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