ABUSO: Sidnei critica a democracia; população protesta contra


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Pedestres observam boneco de Sidnei Rocha na Praça Barão. Protesto bem-humorado contra autoritarismo do prefeito
Pedestres observam boneco de Sidnei Rocha na Praça Barão. Protesto bem-humorado contra autoritarismo do prefeito
Ditadura: regime de governo autoritário, sem liberdade de imprensa, de expressão ou eleições diretas. Iniciada em 1964 e rompida apenas durante a década de 80, a última ditadura instalada no Brasil durou mais de vinte anos. A violenta repressão contra aqueles que discordavam do regime resultou em centenas de mortos, torturados e desaparecidos. Para o prefeito de Franca, Sidnei Rocha (PSDB), pelo menos no que se refere à geração de empregos, um regime ditatorial é melhor do que a democracia. Em seu quadro diário na programação da rádio Hertz AM, da qual é proprietário, o “Bom dia, prefeito”, Sidnei culpou o regime democrático pelo desemprego. “Que democracia é esta que acaba com o emprego?”, reclamou ontem. Sidnei Rocha usou uma estranha lógica para fundamentar suas idéias. Primeiro, o prefeito disse que, atualmente, o número de trabalhadores das indústrias de calçados da cidade é muito menor do que na época da ditadura. Depois, atribuiu a diminuição do número de empregos ao regime governamental repressor. “Na época da ditadura, a nossa cidade empregava muito mais pessoas na área de calçados do que hoje. Que democracia é esta que acaba com o emprego?”, perguntou. No trecho seguinte, Sidnei recorreu a argumento mais coerente. Acusou a grande carga de tributos pela perda de postos de trabalho. Ainda assim, suas palavras mostraram mais uma vez qual sua visão de governo. “Não temos o poder da caneta para baixar impostos. (...) Se eu tivesse a caneta para mudar a política econômica deste País, eu mudaria para a geração de mais empregos porque é disso que o brasileiro precisa”, disse, em tom populista. REINCIDÊNCIA O tucano não faz questão de esconder sua simpatia pelo autoritarismo. Pelo menos dois episódios recentes deixaram claro o perfil autoritário do prefeito. Em 23 de setembro, assinou decreto que retomava para o município o serviço de água e esgoto por meio da ocupação das instalações da Sabesp na cidade. No decreto, o prefeito determinava a incorporação dos funcionários e da frota da empresa, além da abertura de uma conta para se apoderar da receita da empresa a partir daquela data. Suas decisões, que não foram acatadas pela Sabesp, ainda não surtiram efeito prático. Uma semana depois, no dia 30 de setembro, irritado com um soldado que se recusou a retirar cones que isolavam a Base Móvel da Polícia Militar (PM) no Centro, o prefeito desceu de seu carro, chutou os cones que faziam o isolamento e xingou o PM. Durante a confusão, Sidnei teria dito que quem manda na cidade é ele. Desde então, o prefeito falou sobre o assunto apenas uma vez. Apesar de já ter admitido o incidente em conversas extra-oficiais, negou todos os fatos durante entrevista à rádio Difusora AM. O desacato ao policial está sendo apurado pela Delegacia Seccional de Franca. Além do inquérito policial, as ações de Sidnei já suscitaram manifestação da população. Ontem, de maneira jocosa, um boneco do prefeito juntamente com um cone foi colocado na Praça Barão, no Centro da cidade. A reportagem do Comércio tentou, insistentemente, falar com o prefeito ontem à tarde, mas ele não estava no paço municipal. Sidnei Rocha, de acordo com sua secretária, teria ido a uma consulta médica. O telefone celular do prefeito esteve desligado durante todo o dia.

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