Um casal esperou mais de 40 horas até conseguir enterrar o corpo de seu filho recém-nascido. O bebê morreu na noite de sábado, 7, no Hospital Unimed, mas só foi sepultado no fim da tarde de segunda-feira. O corpo da criança foi encaminhado ao necrotério do Cemitério Santo Agostinho para necropsia, mas a família não teria sido informada. O hospital garante que os pais foram comunicados de todos os procedimentos, mas que, emocionados, “não teriam entendido”.
A “via crucis” do casal começou na noite de sábado, quando a dona de casa Ana Paula Zague, 24, grávida de sete meses, sentiu fortes dores na barriga e na região pélvica. Preocupado, seu marido, o auxiliar de modelagem Valdinei Ferreira da Silva, 24, decidiu levá-la ao pronto-socorro do Hospital Unimed. “No exame, o médico não conseguiu ouvir o coração do bebê e pediu um ultra-som. Aí, ficou comprovado que nosso filho havia morrido. Já sabíamos que ele tinha problemas de má-formação, mas mesmo assim o baque foi grande”. Ana Paula foi então levada para a sala de cirurgia e submetida a uma cesárea.
Na manhã de domingo, ao procurar o hospital para obter liberação para enterrar seu filho, Valdinei teria sido informado de que os exames ainda estavam sendo realizados. “Eles só me falavam que estavam fazendo exames, mas isso nunca acabava. Conversei com médicos, enfermeiras e recepcionistas. Isso foi até a noite. Fui embora sem saber o que estava acontecendo”.
Na segunda-feira, Valdinei retornou ao hospital. O mesmo discurso teria se repetido até perto do meio-dia, quando um telefonema esclareceu a demora. “A funerária me ligou dizendo que o corpo estava no necrotério. Queriam saber que hora iríamos fazer o enterro.”
Valdinei teria, então, procurado a administração do hospital para exigir providências. “Mesmo assim, só enterrei o bebê às 16h30”,desabafou.
O diretor-clínico do Hospital Unimed, Luís Fernando Peixe, deu outra versão aos fatos e garantiu que o hospital informou todos os procedimentos que foram adotados com o bebê. “A enfermeira-chefe falou que avisou a família e eles não entenderam. Estavam muito abalados. São pessoas simples, bem humildes. Posso afirmar que o hospital cumpriu à risca o seu papel e que não houve qualquer falha”, disse.
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