Há cerca de 15 dias, o Magic World Park está instalado ao lado do Franca Shopping. Mas para que adultos e crianças se divirtam, é preciso uma grande estrutura por trás, que inclui transporte, funcionários e oficina de manutenção, alojamento, escritório e cozinha. Tudo isso viaja junto com o parque. Ao todo, são 30 caminhões para transportar a estrutura de uma cidade a outra.
Assim como o circo, os parques de diversão itinerantes funcionam como casas para seus funcionários. Com uma diferença: no parque não há a mesma poesia do circo, no qual famílias inteiras se formam sob a lona, há casamentos, desquites e nascimentos. No Magic World Park, por exemplo, há apenas uma mulher entre os 35 funcionários fixos. O restante é formado por homens, boa parte solteiros, que ficam longe de casa quase o mês todo, com apenas uma semana de folga a cada 30 dias. “Aqui é tudo bem profissional”, diz José Antônio da Silveira, secretário do parque.
Para o gerente da praça de alimentação, Walace Pinto da Costa, 36, que está no parque desde 1988, não é difícil suportar a saudade. “A gente tem ocupação o tempo todo. Então, passa rápido”, diz. A única mulher entre os funcionários, a cozinheira Madalena de Lima, 51, ainda está tímida dentro daquela estrutura. Ela foi arregimentada em Ribeirão Preto e trabalha no trailer/cozinha há pouco mais de uma semana. “Eu estou achando bom trabalhar aqui, apesar de ficar longe do meu filho”, disse. “Mas a minha irmã traz ele aqui para que eu possa ver”, completa.
Todos esses funcionários levam a vida nos bastidores do parque, local que ninguém vê enquanto os brinquedos estão em funcionamento e que inclui trailers/dormitórios, a cozinha, que também é sobre rodas, e uma oficina, onde é feita a manutenção dos aparelhos.
FUNCIONAMENTO
Para fazer funcionar um parque com 18 brinquedos, como o que está instalado em Franca, é preciso muita mão-de-obra e uma boa infra-estrutura. Além dos 30 funcionários fixos, a empresa contrata nas cidades em que passa cerca de 30 pessoas para atuarem como equipe de apoio, trabalhando na bilheteria, orientação do público e segurança.
Todo esse contingente é necessário por causa da estrutura grandiosa. Para se ter uma idéia, são necessárias cerca de 15 pessoas para carregar um dos cabos de força que liga alguns brinquedos ao poste de energia. Outros brinquedos são extremamente pesados e precisam de uma manutenção diária e cuidadosa. O Tobogã, por exemplo, pesa 15 toneladas e tem 3 mil parafusos que precisam estar muito bem apertados para que não haja nenhum acidente.
Quando algum brinquedo precisa de reparos, é usada a oficina montada no próprio parque. Caso o problema não possa ser resolvido por aqui, é preciso levá-lo para uma das duas bases fixas da empresa, em Rio Claro e Mogi Mirim. “A gente preza muito pela segurança. Preferimos ficar sem uma atração do que colocar em risco o nosso público”, diz Silveira.
A montagem e a desmontagem do parque demandam o trabalho de cerca de 50 pessoas em cada uma das etapas. “O que facilita bastante é que 80% dos brinquedos são montados em cima do próprio caminhão que os transporta. Então, a gente chega, estaciona no local em que ele será instalado, tira a cabine e começa a montagem. Se você olhar, vai ver as rodas do caminhão embaixo do brinquedo”, explica Silveira. “Na hora de ir embora também é mais fácil porque a gente desmonta, engata a cabine do caminhão e já parte para outra cidade”, completa. O que dá mais trabalho para ser desmontado é a Montanha Russa, que viaja dividida em cinco caminhões diferentes.
Juntamente com a partida da carreata, desfaz-se o sonho das crianças de um lugar. Mas logo, em uma semana no máximo, começam os sonhos de outras crianças. “O parque não pode ficar um final de semana sem funcionar”, diz Silveira.
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