É de sonho e de fé


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“Me disseram, porém./ Que eu viesse aqui, pra pedir de romaria em prece paz nos desaventos./ Como eu não sei rezar, eu só queria mostrar./ O meu olhar, meu olhar, meu olhar....” (Renato Teixeira) São cento e vinte oito mil olhares a cada final de semana, nesta temporada que se inicia no mês de setembro e prolonga até outubro, prostrados diante da imagem da Virgem Maria, denominada Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida, capital mariana do Brasil. Como nos versos do poeta, a energia fluida daquele lugar dispensa oração, ou melhor, a oração está estampada em cada rosto cansado pelo pó da estrada, na alegria da chegada na casa da Mãe, nos joelhos que se arrastam pelas escadarias da Basílica ou pela passarela a qual une a igreja nova ao centro antigo, na emoção de acender uma vela gigante na sala das luzes. Não basta ir a Aparecida apenas uma vez. Esta força magnetizada em forma de fé arrasta multidões de todo o país, as quais superam quaisquer dificuldades para chegarem diante da imagem da Virgem Maria, numa entrega sublime buscam a certeza de melhores dias. No dia 24 de setembro, a cidade de Aparecida recebeu uma romaria muito especial, vinda de vários pontos da país, Brasília, Goiânia, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Trindade do Sul, S. Miguel do Oeste, Poços de Caldas, Uberaba, Igarapava, Batatais, São Simão, São Paulo, Brasília e Paraguaio. A romaria do Instituto Jesus Maria José que escolheu Aparecida para comemorar os 162 anos de existência da congregação e o dia dedicado a Beata Rita Amada de Jesus, beatificada em maio deste ano, que é o dia 24/09. Beata Rita Amada de Jesus ou simplesmente Madre Rita como é conhecida e evocada nas orações daqueles que têm a sua trajetória de vida e a sua dedicação a Deus e ao próximo, um exemplo a ser seguido. Sonho de evangelizar - “Se preciso fosse percorreria o mundo inteiro para salvar um só alma” - e ao criar o Instituto Jesus Maria José espalhou pelo mundo suas sementes, as irmãs de Jesus Maria José, que se encontram na América do Sul, na Europa e no continente africano, encarregadas de difundir o carisma de Madre Rita e o evangelho de Nosso Senhor. Fé foi o que moveu essa mulher do povo, nascida numa pequena aldeia portuguesa - Casalmedinho, freguesia de Ribafeita. Tendo como modelo a família de Nazaré, Madre Rita enfrentou grandes desafios para concretizar o seu desejo, através de seus planos de ajuda aos mais necessitados, dando sempre uma atenção especial aos jovens e às crianças. Para concluir, recorro-me mais uma vez aos versos de Renato Teixeira e digo que é de sonho e de fé, o destino de muitos que ali se encontram, feito eu perdidos em pensamentos sobre o amargo dessa vida cumprida a sol, deste nosso povo que se arrasta sob uma nuvem de dúvida, mesclada de desamparo e injustiça, e, ali, aos pés da Virgem, colocam todos os seus infortúnios. Como caipira que sou, rogo: Senhora Aparecida ilumina a mina escura e funda o trem que ronda e ameaça nossa gente. Amém. PERPÉTUA AMORIM é membra da Sociedade dos Poetas Menores e da Academia Francana de Letras

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