O soldado Amarildo reafirmou ontem que o prefeito de Franca, Sidnei Rocha, humilhou a ele e a Polícia Militar como um todo no dia 30 de setembro, quando chutou os cones da base móvel que fica na Rua Monsenhor Rosa. Em depoimento ao delegado seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, Amarildo disse que o prefeito teria se referido aos agentes como “uns merdas”. O prefeito deverá ser ouvido em até 30 dias. “Ele agora é acusado formalmente do crime de desacato ao soldado e a toda a corporação”, disse o seccional. Apesar de prestar depoimento, o policial não quis conceder entrevista.
Durante o depoimento, o policial militar reafirmou em caráter oficial (pelo inquérito 21/2006) o que foi confirmado por outras testemunhas: naquele dia, Sidnei chegou com seu carro particular à Rua Monsenhor Rosa, na altura da Praça Barão, gritando com o agente, ordenando que ele retirasse os cones daquele local.
Quando o soldado explicou que para retirar os cones era preciso pedir autorização ao Comando da PM, Sidnei teria questionado a autoridade policial. O prefeito teria dito, já fora do carro, que era ele quem mandava, chutando os cones de sinalização em seguida. Além disso, o prefeito teria, com o dedo em riste, chamado o agente de “soldadinho de merda” e depois reiteradas vezes dito aos policiais: “Vocês são uns merdas! Vocês são uns merdas”.
Segundo o delegado seccional, o policial poderia ter detido o agressor imediatamente. O soldado Amarildo disse também que o prefeito só entrou em seu carro e fugiu do local depois que os populares, aglomerados ao redor do palco da discórdia, começaram a pedir aos policiais que prendessem o prefeito por protagonizar a baixaria.
Segundo o policial, os cones não atrapalhavam o trânsito, pois no local onde ficam posicionados deixam duas pistas livres para a circulação de carros. Na Rua Monsenhor Rosa, em frente à Praça Barão, é proibido estacionar por alguns metros, garantindo acesso a quem precisar pedir ajuda aos policiais da base móvel.
O caso já foi comunicado ao Fórum e ao Tribunal de Justiça. Procurado pela reportagem, o prefeito não quis falar sobre o assunto, comportamento que vem mantendo desde o incidente. Só ontem foram feitas duas ligações para seu gabinete e até enviadas perguntas por e-mail. Nenhuma resposta.
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