A Prefeitura de Franca e o governo estadual foram condenados a pagar parte do tratamento de leucemia de um jovem de 23 anos que está internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. As despesas com medicamentos, muitos deles importados, podem chegar a R$ 600 mil mensais, fora os gastos com a internação. O valor será dividido entre Prefeitura e Estado. A decisão foi proferida no dia 28 de setembro pelo juiz João Sartori Pires e o primeiro pagamento deverá ser feito nos próximos dias. No total, a família pleiteava R$ 1,4 milhão.
Segundo o advogado do rapaz, Márcio Minoru Garcia Takeuchi, o tratamento se arrasta há dois anos. Antes de apelar à Prefeitura, a família tentou de tudo. O tratamento começou a ser realizado em Franca. Depois o rapaz foi transferido para o Hospital das Clínicas, de Ribeirão Preto. Em outubro do ano passado, o quadro se agravou e o Hospital Albert Einstein passou a ser a única opção. “Havia um médico em São Paulo que acompanhava o caso e quando os recursos no HC se esgotaram, ele ofereceu uma droga experimental que só existe no Einstein, que é um hospital particular. Essa droga fez com que ele suportasse a doença até fazer o transplante”, disse.
Após a realização da cirurgia, que aconteceu há cerca de 90 dias, surgiram várias complicações e novos medicamentos passaram a ser utilizados. “São drogas muito fortes e caríssimas. A maioria é importada. Mas, por outro lado, são elas que garantem a vida dele”, disse Takeuchi. “Somente um deles custa mais de R$ 4 mil cada frasco”.
Desde novembro, os pais do rapaz passaram a viver em São Paulo para acompanhar o tratamento de perto, mas os irmãos e toda a família ainda mantêm residência em Franca. “Estão lá, junto com meu cliente, mas continuam sendo cidadãos francanos, onde passaram toda a vida. Por isso entrei com a ação também contra a Prefeitura da cidade”, disse Takeuchi.
RECURSO
O advogado disse que o valor a ser pago pela Prefeitura ainda não está definido. Será estabelecido sobre os medicamentos que forem necessários durante o tratamento. Para o secretário de Finanças do município, Sebastião Ananias, o dinheiro fará falta à Prefeitura. “Já determinei ao Jurídico que recorra imediatamente. Se surgirem seis casos semelhantes, eles consumirão toda a verba repassada pelo SUS”, disse o secretário, sem considerar o que o montante significa para a família.
Takeuchi disse que está pedindo apenas que a Prefeitura cumpra sua obrigação. “A Saúde é dever do Estado como um todo, seja nas esferas federal, estadual ou municipal. Não pedimos um tratamento no Albert Einstein. Nos procedimentos hospitalares, solicitamos que seja cumprida a tabela do SUS, como se o rapaz estivesse na Santa Casa de Franca”.
O rapaz possui um tipo de leucemia rara. Segundo familiares, mais de mil testes foram feitos em Franca na procura por um doador. Sem sucesso. Nem mesmo no banco nacional de medula foi encontrada uma compatível. O transplante só foi possível depois que um doador foi encontrado na Alemanha.
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