Com o objetivo de atender e integrar pessoas com deficiências, descobrir talentos e preparar para o mercado de trabalho, a Prefeitura criou o CEI (Centro de Educação Integrada) há dez anos. Hoje, a entidade, que funciona na Cidade Nova, atende 200 pessoas com deficiências mental, visual e síndromes, com idades entre 12 e 60 anos. O projeto está nas mãos de 20 funcionários e dois voluntários, que fazem a diferença na vida dos alunos. “Temos um espaço inédito para preencher uma lacuna no cotidiano dessas pessoas, que não têm emprego nem escola. No CEI, elas trocam conhecimento, enriquecem sua formação e podem viver mais dignamente”, disse a pedagoga Cecília Del Bianco (Ciça), diretora da escola, uma apaixonada pelo trabalho.
[FOTO2]
O atendimento é gratuito e inclui atividades diversificadas nos períodos da manhã, tarde e noite. São oficinas de artesanato, curso de bijuterias, alfabetização, grupo do trabalhador eficiente, educação física (iniciação esportiva, educação psicomotora e dança), musicalização (banda de sucata e coral), doação de cestas básicas para famílias carentes, orientação aos pais dos aprendizes, encontros com psicólogos, fonoaudiólogos, festas e passeios.
Aos 60 anos de idade, Jeremias de Jesus é o aluno mais velho do CEI. Antes de ser inserido no projeto, esse senhor vivia na casa de um sobrinho, num quarto escuro, totalmente isolado do mundo. Passados seis meses de atendimento e apesar das limitações (ele não fala), é um dos mais ativos na oficina de tapeçaria, música e educação física. “A gente percebe felicidade e vida no olhar dele”, disse Cecília. Ele passa pela escola durante a semana, das 13 às 17 horas.
Outros aprendizes precisam ficar o dia inteiro no local e só voltam para casa na hora de dormir. É o caso de Luís Rodrigues, 34, que é deficiente mental. Depois de sofrer maus tratos da mãe biológica (ela o puxava por uma corda no pescoço), foi adotado por uma família de Ibiraci. Há cerca de um ano, a mãe adotiva morreu e Luís veio para Franca morar com os irmãos, que o matricularam no CEI. O rapaz fica o dia inteiro na entidade, onde dorme, faz as refeições, toma medicamentos e participa das aulas de educação física.
O interesse pelo projeto é grande, mas não há como atender toda a demanda. A entidade está com 50 pessoas na lista de espera e deve abrir 30 novas vagas em 2007. Os interessados podem deixar o nome no local e aguardar convocação.
COMO AJUDAR
A Prefeitura é responsável pela manutenção do local. Os gastos mensais são, em média, de R$ 5 mil. Os recursos municipais não são suficientes e a entidade conta com ajuda da população e dos próprios pais. Os interessados em contribuir podem doar materiais para as oficinas (tela, linha, barbante, lã, tinta), para a reforma do prédio ou ser voluntário. “O projeto está bem, mas temos muitas dificuldades. Vivo correndo atrás de ajuda. Se eu pedir, ganho, mas acho que a sociedade poderia ter mais iniciativa de ajudar. Os médicos e dentistas, por exemplo, poderiam oferecer consultas, exames...”, sugere a pedagoga Cecília Del Bianco.
SERVIÇOS
O CEI fica na Rua Prudente de Morais, 426, Cidade Nova. O telefone é (16) 3723-7014.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.