Cirque du Congrès


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Pode-se dizer que o processo eleitoral brasileiro está praticamente terminado, no que tange às esferas federais e estaduais, com nossos representantes escolhidos para atuarem durante os próximos quatro anos, à exceção de alguns governos de Estados e do presidente da República. A partir do conhecimento da lista de candidatos eleitos, salvo exceções, chego à conclusão de que a “onda” recente do famoso circo canadense que veio ao Brasil, “Cirque du Soleil”, contaminou o eleitorado brasileiro. Quando eu mesmo era criança, era apaixonado por circos. Adorava ver os mágicos tirando truques da cartola, os contorcionistas se contorcendo para sair de uma situação extremamente difícil, os palhaços fazendo-me rir com seu show de exuberância e trapalhadas, e até mesmo dos macaquinhos que pegavam uma moedinha em meus bolsos e saíam correndo. Sempre desconfiei que a imensa maioria dos eleitores brasileiros também adorava ir à cabine da bilheteria e pagar para ver atrações circenses. Na segunda-feira, 2, ao abrir os jornais, todavia, esta minha desconfiança desapareceu. Obtive absoluta certeza! Foi uma verdadeira regressão à minha infância o que tive ao iniciar a leitura dos nomes eleitos para a Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas, que, como já salientei, salvo raras exceções, serão compostas por todos aqueles personagens circenses tão tradicionais. Lá estavam eles presentes: os mágicos, que tiravam dossiês de cartolas e que tinham experiência em fazer desaparecer dólares em cuecas, cartolas, bolsos, contas em paraísos fiscais, entre outras; os contorcionistas, que já se contorceram para escapar de prisões preventivas, técnicas estas passadas ao longo de gerações. Família que se contorce unida, permanece unida, ainda que atrás das grades. E, como não poderia deixar de ser, os palhaços, aqueles que durante o horário eleitoral nos fizeram rir com sua exuberância e imaginação, e que, nos próximos quatro anos nos farão chorar por sua total falta de preparo e de propostas, mas que, por já serem os mais famosos do circo, sempre garantem a compra dos bilhetes e poderão brincar com os espectadores à vontade, sem que estes entendam a brincadeira séria em que se meteram. O que me preocupa nisso tudo é que, com a modernidade que se vê na tecnologia de hoje - com os programas e shows cada vez mais interativos, - estamos fadados a participar diretamente dos números destes “artistas eleitorais”, cujo destino final será a constante apresentação de um show de horrores, para o qual não existe controle remoto ou porta de saída pelos próximos quatro anos. Assim, concluo que apenas duas oportunidades surgem aos telespectadores: para aqueles que querem desmontar o circo de aberrações, podemos começar a trabalhar desde já para que, ao final dos próximos quatro anos, os mágicos estejam sem cartolas, os contorcionistas acorrentados e os palhaços de volta às palhaçadas comuns do dia-a-dia. Para aqueles que têm condições financeiras e que adoram um circo, existe, porém, a opção de irem para o Canadá assistirem ao verdadeiro “Cirque du Soleil” em um país cujo Congresso não é um circo. As portas das embaixadas são as serventias do país. Agora a vocês é cabível a decisão. E o último que sair, que apague o picadeiro!

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