“Foi-se o tempo em que trabalhar em uma indústria calçadista era sinônimo de ganhar dinheiro. Eu nem de longe passei por esta fase”, a frase é da estudante de massoterapia Kelly Cristina Silva, 21. Ela trabalha em uma indústria de calçados e tenta pagar, com muito custo, as mensalidades da escola. “Estou lutando, é difícil, mas ainda chego lá. Ainda deixo o chão da fábrica”.
O setor que já foi um dos mais nobres passou a ser rejeitado pela maioria dos jovens que estão em busca de emprego. Essa atitude tem aprovação de quem já passou por uma produção, mas que hoje vive de outras funções.
Vantuil Batista Moura, 41, é um deles. Com 14 anos de idade, começou a trabalhar na produção de uma empresa. Passou por vários setores e diversas fábricas, em funções que vão de auxiliar de produção a chefe de almoxarifado. Há sete anos, percebeu que não tinha como receber um salário melhor dentro da indústria. Fez curso e foi trabalhar como instrutor de auto-escola. Não se arrependeu. Em 2001, conseguiu montar seu próprio negócio que hoje tem até filial. “Eu bem que tentei melhorar dentro da empresa, mas não tinha opção, é muito restrito”, disse.
Domingos Antônio, 42, entrou em uma fábrica pela primeira vez aos 14 anos. Trabalhou até os 31 anos como sapateiro e ainda tentou continuar na categoria. Como pretendia crescer, fez curso de técnico em calçado. Não encontrou oportunidade para mostrar seu talento e foi embora de Franca.
Fez curso de modelagem em bolsas no Equador e há três anos montou seu próprio negócio. Se deu bem. Hoje tem oito funcionários e pretende admitir mais seis. É também professor no Senai (Serviço Nacional da Indústria) de Franca, na área de confecção de bolsas. “Estou em um mercado novo, que está crescendo na cidade. Acredito que encontrei meu caminho além do calçado”.
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