A Palavra de Deus deste domingo trata do tema “comunhão” na comunidade-Igreja tendo como exemplo a comunhão que fortalece os que se unem pelo matrimônio. A primeira leitura do livro do Gênesis, capítulo 2, relata a criação da mulher e mostra o que significa ser humano na perspectiva do projeto de Deus.
Javé reconhece que “não é bom que o homem esteja só”, porque solidão é sinônimo de excomunhão. A solidão é a experiência mais terrível pela qual o homem pode passar. A leitura de hoje nos ensina que o ser humano só é dominado pela tristeza quando não tem com quem dialogar. O homem não consegue conquistar a felicidade sozinho, ou com as coisas, ou com os animais. Precisa de alguém ao seu lado, igual a ele.
No mundo, existem homens e mulheres para que possam ajudar-se a sair da solidão. Seu destino é encontrar-se, dialogar, completar-se reciprocamente. O casal que não realiza este objetivo, não conquista a verdadeira felicidade, mesmo tendo casa, bens e filhos, porque a finalidade primeira do casamento é o amor recíproco entre o homem e a mulher.
Como ajuda para o casamento dar certo, há o tempo do namoro. É um tempo de descoberta recíproca, de busca de um projeto comum, de crescimento também espiritual, de preparação para partilhar alegrias e responsabilidades. Quando se casam, no projeto de Deus o homem e a mulher, unidos pelo amor conjugal, já não são dois indivíduos separados, mas uma só pessoa. Que sublime é o matrimônio cristão!
A segunda leitura é um trecho do capítulo 2 da Carta aos Hebreus. No trecho proclamado nos é oferecido uma grande alegria. Jesus é grande, mas é um de nós, não é homem somente na aparência. Viveu os nossos mesmos sentimentos e as nossas mesmas emoções, passou pelas nossas mesmas experiências, inclusive o sofrimento e a morte. Como não depositar nele toda a nossa confiança?!
O evangelho de São Marcos no capítulo 10, ensina: “o que Deus uniu o homem não separe”. Jesus apresenta o matrimônio na perspectiva do projeto de Deus e faz ver que homem e mulher, unidos em matrimônio, formam uma unidade corpórea indissolúvel, bem mais forte que os laços de sangue ou parentesco.
Jesus é radical a respeito do matrimônio e da prática do divórcio. “Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro, cometerá adultério”. A responsabilidade, portanto, é igual para marido e mulher.
O divórcio, como a poligamia, não faz parte do projeto de Deus. “No princípio” os homens foram criados homem e mulher, não para que se entregassem a orgias, aventuras, sensações, mas para que fossem casais estáveis, unidos pelo amor e pela bênção do Senhor. A separação se transforma num atestado destruidor da obra de Deus.
O mundo pensa diferente, mas o certo é que a indissolubilidade do matrimônio, a monogamia, a castidade não são imposições duras e contrárias à razão, mas foram estabelecidas para a defesa da dignidade humana. Que nossas famílias vivam seu matrimônio segundo os critérios de Deus. Abençoa, Senhor, as famílias. Amém!
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca
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