Médico do NGA acusado de recusar exame do SUS


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A aposentada Maria Antônia diz querer apenas um tratamento digno: “Não enxergo e nem tenho R$ 200 para pagar a irmã do médico”
A aposentada Maria Antônia diz querer apenas um tratamento digno: “Não enxergo e nem tenho R$ 200 para pagar a irmã do médico”
A aposentada Maria Antônia da Silva, de 76 anos, sofre de catarata. Procurou o NGA-16 para tentar resolver seu problema. No local, o médico a orientou a realizar uma ultra-sonografia ocular. Teria, indicado uma clínica particular para que a paciente realizasse o procedimento, que custaria R$ 200. Sem ter o dinheiro, a aposentada procurou uma clínica credenciada pela rede pública, onde conseguiu fazer, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o exame. Ao retornar ao NGA-16 para apresentar o resultado, a surpresa: o médico teria se irritado com a atitude da paciente e dito que só aceitava os exames realizados no local recomendado por ele. Detalhe: a clínica indicada pelo oftalmologista seria de sua propriedade, em sociedade com a mulher e sua irmã. O filho da paciente, o vendedor Vitor José da Silva, ficou indignado com a situação. Para ele, a postura do médico seria, no mínimo, indecorosa. “Onde já se viu isso? Pegamos o pedido, carimbamos, levamos minha mãe na clínica e ela fez o exame solicitado. Aí, quando chegamos lá para receber uma solução, o cara fala que só aceita exames feitos pela irmã dele? É o fim do mundo”, disse. O vendedor disse que ainda tentou argumentar com o médico sobre a falta de recursos da mãe. “Falei para ele. Minha mãe ganha um salário mínimo por mês, paga aluguel. Não tem condições de bancar este valor. Ele falou que era para a gente dar um jeito, se virar por aqui”, disse. “Mesmo que não tivesse esse exame na prefeitura, o certo era ele encaminhá-la para onde fizesse e não para o consultório dele e da irmã”, disse. A aposentada também criticou a atitude do médico que considerou “desumano”. “Ele foi grosso, mal-educado. Não respeitou minha idade, nem nada. Mesmo assim, não quero brigar com ele. Só quero ser atendida, porque não enxergo mais quase nada. Apenas isso. O exame está comigo; só peço que um médico me ajude”. SEM RESPOSTAS O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, foi procurado para comentar o caso. Sua secretária, Rose, disse que ele não poderia atender à ligação telefônica e solicitou que as perguntas fossem enviadas por e-mail, o que foi feito. Mas, nem assim, Ferreira respondeu aos questionamentos. O médico apontado por Maria Antônia também foi procurado. Segundo sua secretária, ele estava ocupado, realizando uma cirurgia, mas que telefonaria tão logo terminasse. Até o fechamento desta edição, às 23h15, o contato não havia acontecido.

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