Os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra), que estavam na Fazenda Santa Terezinha desde o dia 9 de setembro, invadiram na madrugada de ontem a Fazenda São José em Cristais Paulista. A propriedade, de 156 hectares, está localizada a poucos metros da estrada que leva a Águas Quentes. A invasão contou com 160 famílias de Franca, Cristais Paulista, Ribeirão Corrente e Jeriquara, que ocupam 3 alqueires da área.
Vilmar Silva, um dos coordenadores do MLST que também participou da invasão a outra fazenda em Cristais, no mês de setembro, disse que o real interesse do grupo é a Fazenda Santa Zélia, localizada ao lado. “Temos informação de que a propriedade estaria em processo de desapropriação por ter cometido crime ambiental”, afirmou Silva, que não soube informar o nome do proprietário, dizendo apenas ser de Franca.
Ontem os coordenadores do MLST procuraram os proprietários da fazenda na tentativa de firmar um acordo. A intenção era ficarem na fazenda enquanto aguardam uma posição do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A empresária francana Maria Luiza Elias, que está entre os donos, disse ter registrado Boletim de Ocorrência e que entrará com pedido de reintegração de posse. “Foi uma surpresa desagradável. Eles invadem e depois vêm querendo fazer acordo. A fazenda é produtiva, criamos gado e na próxima semana começaríamos a preparar a terra para plantar milho”, disse ela.
O grupo foi formado em maio e já invadiu outras três fazendas: Nova Mata, de propriedade do Grupo Samello; Jandira, ambas em Cristais Paulista, e Santa Terezinha, em Franca. Ontem pela manhã, as famílias já tinham cortado bambu e começavam a montar os barracos. Rubens Célio Esperidião, 35, era um deles. “Me juntei ao grupo em maio e não pretendo desistir porque essa é a única garantia de conseguir meu pé-de-meia”, afirmou ele. Nair Justina de Souza, 70, ajudava a amiga Luzia Rita Lopes, 57, a montar o barraco. “Aqui a gente é um grupo só. Um ajuda o outro”, disse ela.
Além dos dois grupos acampados, com 200 pessoas cada um, o MLST mantém uma lista de espera com mais de mil pessoas.
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