O PSOL e o segundo turno


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Asenadora Heloísa Helena fez uma heróica campanha; é uma mulher guerreira que mostrou ao Brasil inteiro que nós, mulheres, temos fibra, garra e coerência para governar o Brasil; ela mostrou que nós, mulheres, temos lado na disputa política que ocorreu nestas eleições. Mostramos que havia outro caminho para o Brasil, um caminho em defesa dos interesses da maioria da população, e, apesar de toda a pressão pelo voto útil, fosse em Lula, para que ganhasse já no primeiro turno, fosse em Alckmin, para que derrotasse Lula, mais de 6 milhões de brasileiros votaram em Heloísa Helena. Ou seja, mais de 6 milhões de brasileiros, ignorando o poder econômico, as pressões políticas, a desigualdade no tempo de propaganda eleitoral na televisão e as mentiras contadas nos programas milionários de Lula e Alckmin, votaram pela construção de uma alternativa socialista para o Brasil. Muito me honra ser parte da construção dessa alternativa. Não tenho a menor dúvida de que o PSOL se transformou num símbolo da resistência ao modelo neoliberal e num pólo de referência para todos aqueles que anseiam por uma alternativa. Agora nos defrontamos com o segundo turno. Seria absolutamente incoerente de parte de qualquer dirigente do PSOL se manifestar a favor de qualquer uma das duas candidaturas. Passamos a campanha inteira dizendo que tanto Lula como Alckmin são as duas faces da mesma moeda, são os dois defensores de um modelo econômico de transferência brutal de renda dos trabalhadores da classe média, que pagam escorchantes impostos para o capital financeiro, para os bancos, que lucram como nunca na história do País, para as grandes empresas multinacionais, que remetem seus lucros livremente para fora do Brasil. Ambos defendem o mesmo modelo econômico, assim como defendem o mesmo modelo político de corrupção, de balcão de negócios sujos, do qual nos recusamos a fazer parte. Portanto, dizemos ao povo brasileiro: vote em quem quiser, escolha o candidato que lhe parecer mais adequado, ou vote nulo ou branco, mas, independente da escolha eleitoral que fizer agora, não confie, não tenha ilusões de que um dos dois representará avanços para os interesses do povo. Nós, do PSOL, estaremos na linha de frente da resistência aos ataques que virão: reforma trabalhista, que já está sendo preparada tanto por Lula quanto por Alckmin; a nova reforma da Previdência, que já está sendo preparada tanto por Lula quanto por Alckmin; a manutenção da política econômica e as práticas de corrupção com mensaleiros reeleitos, sanguessugas reeleitos, figuras como Fernando Collor e Paulo Maluf, que têm nosso repúdio e desprezo, eleitos para este Congresso Nacional, alimentando políticas de balcão de negócios, implementadas tanto pelo Governo Fernando Henrique como pelo Governo Lula. Nós, do PSOL, não fazemos parte desse jogo e não estamos com nenhum dos dois. LUCIANA GENRO é deputada federal pelo Rio Grande do Sul e coordenadora da Frente Parlamentar e Social em Defesa da Universidade Pública e Gratuita.

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