“Estamos em greve”. Muitos usuários foram surpreendidos com o anúncio estampado em cartazes nas agências bancárias de Franca ontem. Em assembléia realizada na noite de quarta-feira, a categoria decidiu aderir à greve nacional e ficará de braços cruzados por tempo indeterminado. Na cidade, das 37 agências, 13 suspenderam todo atendimento nos caixas ou trabalharam com número reduzido de funcionários. Bancos de Patrocínio Paulista, São Joaquim da Barra e Ribeirão Preto também pararam.
Com a meta de atingir 100% de adesão, o Sindicato dos Bancários de Franca e região, que representa 1400 bancários de 17 cidades, considerou o primeiro dia de paralisação positivo. A promessa é engrossar a lista dos bancos em greve gradativamente. “Está dentro do esperado, pois não há como decretar uma greve à noite e acordar no dia seguinte com tudo fechado. O movimento é construído dia-a-dia”, disse o secretário-geral da entidade, Paulo Nocera.
A greve protesta contra o reajuste proposto pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), de 2,85%. Os bancários reivindicam aumento de 7,05%. “Parar é a única maneira de sensibilizar os banqueiros, pois há prejuízos. Sabendo da greve, o cliente deixa de ir às agências e a circulação financeira declina.”
A agência Franca da CEF (Caixa Econômica Federal), por onde passam cerca de 500 clientes por dia, foi uma das que suspendeu o atendimento ontem. Dos 41 funcionários, metade aderiu à greve.
A escriturária Rosângela de Melo, 49, bancária na CEF há 22 anos, foi uma das que cruzaram os braços. “Estou de greve por indignação, pois sempre que pedem, cumprimos as metas e alavancamos os negócios do banco. Agora não conseguimos um aumento digno para sustentar nossas famílias.”
A faxineira Maria Monteiro, 46, foi uma das prejudicadas. Ela esteve na unidade para sacar o benefício INSS de R$ 350. Mas sem cartão para usar no caixa-eletrônico, voltou para casa sem o dinheiro. “Isso é uma barbaridade, um desrespeito com a gente. Vou ter de atrasar minhas contas e dar um jeito de arrumar comida para a família porque em casa não tem nada”, desabafou. As alternativas são as lotéricas e caixas eletrônicos.
Apesar de ser dia de pagamento, as agências não ficaram lotadas. Nocera acredita que ao ver os cartazes nas portas com aviso de greve “afastou os clientes”. O Sindicato dos Bancários realiza hoje, às 9 horas, na Praça Nossa Senhora da Conceição, assembléia para avaliar o movimento e determinar as estratégias desta sexta-feira. Os sindicalistas deverão percorrer as unidades em busca de novas adesões.
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