A força do voto que une


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Sufrágio, cidadania e direito de representatividade são conquistas longínquas e remontam à Grécia antiga. Estes conceitos aplicados revigoraram-se no século XVIII, a reboque dos ideais da Revolução Francesa e da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Na antiguidade, o título de cidadão era concedido apenas para os homens nascidos nas respectivas cidades-estados, preterindo pessoas que eram escravos, mulheres, estrangeiros, ou pessoas com condição econômica precária. Através dos séculos, direitos políticos vêm sendo conquistados pelo mundo afora. Ainda há o que discutir e evoluir -dou como exemplo o direito de voto aos sentenciados -, mas para termos consciência do atual estágio evolutivo da política ocidental é preciso olhar para o passado e saber que ao custo de muitas vidas e muitos anos de resistência é que temos hoje o direito de voto, que não deve ser tomado simplesmente como indesejada obrigação. Às vésperas da eleição, na edição do dia 28 de setembro -cuja versão on-line ainda encontra-se disponível no site deste matutino (http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=8821) -, tive a satisfação de ver publicado artigo no qual atentava para a histórica oportunidade de Franca eleger um novo deputado federal, mas para isso era preciso haver consenso e concentração dos votos dos cidadãos francanos, o que a muitos preocupava não ocorresse. Mas, a despeito dos pessimistas e numa demonstração de força e consciência política, tem a coletividade uma nova representatividade na Câmara Federal, a partir do próximo ano. Inobstante a descrença política generalizada que assola o país, a força do voto que uniu os francanos em torno de um objetivo comum deve ser mantida, porque a reestruturação da representatividade política da cidade só está começando. Ao lado de um novo deputado federal, Franca ainda pode contar com dois outros experientes políticos em nível estadual, cuja convergência de atuações poderá em muito fortalecer os propósitos da cidade, especialmente em conjuntura tão preocupante para a indústria calçadista, em cuja órbita encontra-se toda a economia local. Para se ter idéia da importância do feito francano, é de se anotar que há cidades que dispersaram todo o potencial de votação. Numa delas, todos os 70 deputados federais eleitos no Estado de São Paulo lá registraram votos. Porém, 151 deles tiveram apenas um voto computado; democrático, mas danoso discenso político. Agora, ao eleitor é preciso administrar a ansiedade e manter a unidade, não se precipitando em desarrazoadas críticas político-partidárias, cobranças prematuras ou em busca de benefícios particulares junto aos eleitos. Ainda é preciso lhes ofertar apoio, porque estão eles conscientes da responsabilidade que carregam, mas precisam se reorganizar. Embora já tenham iniciado as necessárias articulações, acabaram de sair de uma atípica e atroz campanha eleitoral. Especialmente o noviço eleito, que deverá fazer sua “residência política” e inteirar-se dos melhores procedimentos a adotar, antes de começar a remediar os problemas da comunidade que representará na Câmara Federal, cujo ritmo e prioridade de articulações devem ser tão-só por ele aquilatados. Há consenso de que clientelismos, assistencialismos e conluios setorizados devem ser banidos da política nacional, mas é preciso saber se não alimentam tais posturas políticas aqueles que delas querem se servir. Não pode o receptador criticar o ladrão, se me permitem a grosseira comparação. Por isso, desde já, banir os velhos hábitos, também implica em não impelir nossos políticos àquelas práticas espúrias, das quais todos se dizem enojados. Separar as relações pessoais e afetivas das relações profissionais e políticas não cabe somente aos eleitos, mas também aos eleitores. O poder atrai tudo que há de melhor, mas também o que habita de pior no ser humano. Penso que, para os eleitos, todas as relações devem se tornar cristalizadas após estas eleições. Não há crivo que possa assegurar estabelecer novas relações, em quaisquer níveis, desvencilhadas da atração exercida pelo poder. Enfim, boa sorte e integridade aos eleitos na arte do exercício da representação política e sabedoria ao destacado eleitorado francano na condução de seus interesses suprapartidários. ADAUTO CASANOVA é acadêmico de Direito na Unifran, graduado em História pela Unesp, pós-graduado em Administração pela UFMG.

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