Os bancários de Franca estão em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada depois da assembléia de ontem à noite, na sede regional do sindicato da categoria. Durante a reunião, 87 trabalhadores votaram a favor da paralisação, 17 votos foram contrários e houve três abstenções. Isso indica que nem todas as agências da cidade estarão fechadas hoje. “Estamos trabalhando com uma meta de 100% de adesão”, disse o presidente do sindicato, Edson Roberto dos Santos. Com a decisão, as agências devem fechar as portas, mas os caixas eletrônicos funcionam normalmente até esgotar o dinheiro em estoque.
Franca é mais uma das cidades a aderirem ao movimento grevista, que já atingiu seis Estados. Os trabalhadores reivindicam um aumento de 7,05% e mais 2,85% de correção do índice de inflação.
Já a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ofereceu apenas o acréscimo de 2,85%, um adicional de R$ 823 e participação nos lucros e resultados de cada empresa no limite de 80% dos vencimentos, além de um acréscimo de R$ 750 aos funcionários de bancos que aumentaram seus lucros acima de 20% entre 2005 e 2006.
A proposta apresentada pela Fenaban foi rejeitada por 103 dos 900 bancários da região abrangida pelo sindicato. Mas na hora de discutir a greve, houve opiniões divergentes. “Foram feitas várias tentativas de negociação e até agora não houve uma proposta decente para os trabalhadores”, disse a bancária Ana Vera Teles, 40, funcionária da Caixa Econômica Federal há sete anos. “Em Franca, sempre começamos a greve primeiro do que na maioria dos lugares e sempre saímos prejudicados”, disse Sílvia Peixoto, 43, também funcionária da CEF.
Em seguida, o comando do sindicato novamente fez a pergunta sobre a greve, distribuindo o cartão de votação para os bancários presentes. O sim recebeu 87 votos. Dentre os que votaram contra, estavam alguns funcionários do Banco do Brasil.
Eles reforçaram o coro dos que não acreditam em adesão total. “Os bancos estatais sofrerão mais. Se um cliente de um banco público chegar à agência para sacar dinheiro e vir que o banco está em greve, é lógico que ele vai colocar o dinheiro dele em um banco que não paralisar”, disse um dos gerentes, que não quis se identificar.
Apesar da divisão de opiniões, o presidente do sindicato da categoria, Edson Roberto dos Santos, acredita em 100% de paralisação. “Vamos trabalhar para isso, mas acredito que hoje os bancos estatais parem de trabalhar”. Ele crê também que os bancos particulares possam aderir ao movimento. Edson pede a compreensão dos clientes. “Estamos em campanha salarial há dois meses e nada conseguimos. Eles podem ficar revoltados. Mas com os banqueiros.”
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