O primeiro round da eleição em 2006 terminou com aparente vantagem dos tucanos na briga pela Presidência da República, mesmo com o maior percentual de votos obtido pelo PT. Mais do que nunca, ficou evidente o efeito do dossiê e a força que a documentação provocou no eleitor a dias do primeiro turno.
Agora, o jogo começa novamente do zero. Só se espera que as baixarias registradas até o momento dêem lugar à discussão de propostas sérias, sobretudo na área da Previdência Social, da Saúde e da Educação.
Até o momento, o debate em torno desses assuntos foi muito morno e, às vezes, ficou escondido. Nenhum candidato demonstrou interesse em explorar essas questões a fundo, tampouco incentivou a discussão do tema em nível nacional. É dossiê para cá, suspeito para lá, quadrilhas e dólares ilegais... Mas ninguém fala do salário do aposentado e de como sua vida vai ficar nos próximos anos.
A falta de interesse no assunto não é novidade. Foi assim no governo Fernando Henrique Cardoso e seguiu com o de Lula. Os dois promoveram mini-reformas na legislação, mas apenas adiaram o caos no setor. O Congresso Nacional e o Senado taparam os olhos para a desastrosa administração dos recursos dos aposentados. A impressão que se tem é a de que eles só vão levar o assunto a sério quando receberem o mesmo tratamento concedido à maioria da população. Ou seja, nunca.
Seja quem for, o próximo presidente da República terá de enfrentar a questão com muita seriedade. Em suma, tudo se resume a um problema matemático. Atualmente, os aposentados e pensionistas vivem mais e cada vez menos trabalhadores contribuem para o caixa do INSS. Cabe ao governo federal encontrar uma fórmula para resolver o impasse. Algumas medidas são fundamentais, como o aumento da idade limite para as aposentadorias e a diminuição da informalidade no mercado de trabalho.
Lula e Geraldo Alckmin têm esse desafio pela frente nas próximas semanas. Já está na hora de pararem de trocar acusações e começarem a divulgar seus projetos para o país. Durante muito tempo, o Brasil ficou estagnado por causa da fragilidade de nossa democracia e da inflação galopante. Agora, não tem mais essa desculpa. É hora de trabalhar.
MILTON DALLARI é consultor empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp. E-mail: miltondallari@terra.com.br .
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