Secretariado


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Depois de uma “bronca” daquelas de meia hora do chefe mal-humorado, fale ao telefone com a placidez de uma monja tibetana; organize a agenda com antecedência; marque as reuniões para antes das 11 horas, pois o chefe quer descansar o resto do dia; desmarque tudo, ele descansará o dia inteiro; agende uma viagem perfeita, com início no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha e fim, um mês depois, no restaurante Cabaña Las Lilas, na Argentina, famoso pelo delicioso bife de chorizo. Tudo isso, com a discrição de um guerreiro ninja, que sai e entra em cena sem ser notado, e, claro, sem esperar um obrigado no final do dia. Senhorita Teschmacher!!! Costuma-se dizer que secretária é a “faz-tudo do chefe”. Não há exagero aí. A profissional deve ter noções de administração, planejamento, comunicação, psicologia, liderança, marketing, finanças, além de ser especialista nos conhecimentos de sua área para quando é necessário digitar correspondências ou outro documento de rotina, providenciar seu recebimento e despacho, além de organizar e manter o arquivo impecável. Não bastassem os deveres de praxe, o café ou o lanche para a sala do chefe deve ser providenciado por ela, claro. O jovem leitor deve estar perguntando, por que nesta profissão só se faz referência à secretária e não a um secretário? “Não há tradição de homens secretários, pelo menos nos cursos da Industrial, apesar de ser livre e atender inscrições para o público masculino se houver interessados”, disse Marlene Pereira Alves, coordenadora pedagógica da área de gestão da Industrial. INSCRIÇÕES Ontem, a Escola Técnica Estadual “Júlio Cardoso” (Industrial), assim como o Colégio Agrícola e outras cinco ETEs da região, abriram inscrições para seus vestibulinhos de fim de ano. Na Industrial, por exemplo, existe um curso que ensina - pasmem! - a difícil “arte” de ser secretária. De nível técnico, o programa é muito bem conceituado entre os alunos e capacita o estudante em um ano e meio. Michele de Oliveira Pinto, 20 anos, está no primeiro ano do curso e, mesmo sabendo que é uma profissão que exige certa “abnegação”, afirma ter escolhido seu destino profissional. “É uma coisa que gosto muito. Tenho paixão em me tornar secretária-executiva de uma multinacional”, diz a secretária da Aerf (Associação dos Arquitetos e Engenheiros da Região de Franca). Michele está no caminho certo. Educada e de fala clara e mansa, ela traçou seu destino aos 15 anos de idade, quando ainda fazia parte da Guarda Mirim. Naquela época, trabalhou como ajudante da secretária do gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia. Ajudava no arquivo, aprendeu a fazer relatórios, atender e fazer telefonemas, agendar serviços e afinou-se no trato com executivos da estatal paulista. Aos 18 anos, ela conseguiu seu primeiro emprego “de verdade” na Aerf, onde está até hoje. Aliás, manter uma carreira sólida, sem sobressaltos e troca de empregos constantes é outra qualidade bastante apreciada nas candidatas a cargos de secretária. O próximo passo de Michele de Oliveira após o término do curso será criar condições para fazer faculdade. O curso: secretariado executivo. “Tenho que criar condições financeiras e físicas para fazer a faculdade, pois os cursos são caros e longe da cidade”, diz. Além das atribuições desejadas em uma secretária, executiva ou não, a de “muro de lamentações” e “saco de pancadas verbais” é uma delas. “O fato de elas serem muito próximas e quase confidentes do dia-a-dia do escritório e da diretoria as torna uma espécie de ‘pára-raios’ do patrão. Mas, sabendo contornar e não deixando as coisas estrapolarem e partir para o lado pessoal, elas saem ilesas”, explica a coordenadora Marlene Alves. Quem ainda não visualizou a situação e já assistiu aos três filmes do antigo e lendário Superman, com Cristopher Reeve, vai se lembrar da eterna senhorita Teschmacher. Ela era secretária do vilão Lex Luthor, que volta e meia acionava a incansável devota aos berros: Senhorita Teschmacher! O lado bom da profissão é a possibilidade de viagens, mesmo a trabalho, almoços e jantares em ótimos restaurantes e, geralmente, um bom salário. “Não há um piso ou média definidos, depende do tipo de atuação e da formação da profissional”, disse Marlene. CURSO TÉCNICO Para o ano de 2007, a Escola Técnica Estadual “Doutor Júlio Cardoso”, a Industrial, oferecerá 40 vagas para o período noturno no curso de secretariado em nível técnico. O prazo segue até o dia 11 de outubro e as inscrições são feitas nas secretarias das escolas. Para se inscrever, os interessados devem comparecer às escolas munidos do RG e com a ficha de inscrição preenchida sem rasura. A taxa de inscrição custa R$ 20 e precisa ser paga nas agências bancárias credenciadas. O manual do candidato pode ser adquirido por R$ 5 até o dia 10. É preciso estar cursando a partir do 2º ano do ensino médio ou já ter concluído essa etapa. As provas serão no dia 12 de novembro. SERVIÇOS A Escola Técnica Estadual “Doutor Júlio Cardoso” fica na Rua General Carneiro, 1675, no Centro de Franca. Informações (16) 3721-8133.

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