Qual a diferença?


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Uma das teses que a senadora Heloísa Helena mais reprisou durante a campanha era totalmente irreal. Não estou falando da possibilidade de derrubar os juros como num passe de mágica e continuar atraindo o capital volátil, mas da idéia de que poderia governar sem qualquer base política, pois no governo dela, o Congresso iria deixar de ser o balcão de negócios sujos em que se transformara nos últimos anos. Que caso tivesse ‘a honra’ de chegar ao palácio do Planalto, HH iria quantas vezes fosse necessário ao prédio ao lado e, apenas na base do gogó, acabaria convencendo deputados e senadores a apoiar seus projetos, obviamente, os mais adequados ao país. Como Heloísa Helena não foi eleita, não poderemos conferir que esse era apenas um discurso de campanha ou se ela insistiria nessa estratégia até ser derrubada - não houve um só presidente brasileiro que tenha ficado no poder depois de colidir frontalmente com o Congresso. Isso indica que a escolha do segundo turno tem sentido, mas na vida real, nem Lula, nem Alckmin tem algo a ver com o He Man do desenho animado - aquele que gritava “eu tenho a força!”, fazia de seu gato um tigre e derrotava qualquer inimigo. No prédio ao lado do Palácio do Planalto, o mais votado chama-se Paulo Maluf (só para registro, em termos proporcionais e não em números absolutos, o mais votado foi Ciro Gomes). Na bancada paulista, Maluf vem acompanhado por Celso Russomano - aquele do “se está bom para você...”, se quisermos ficar apenas na parte visível de sua biografia . Em terceiro, ficou Clodovil Hernandez, que carregando seus quase 400 mil votos como uma bolsinha a tiracolo, poderá desfilar sua coleção de bobagens e de modelitos no plenário da Câmara - se é que se dignará a ir lá com alguma freqüência. A votação de Clodovil -o cacareco cor-de-rosa - levou para a Câmara um certo Coronel Paes de Lira, da frente Pela Legítima Defesa, que se orgulha de ter discursado, por exemplo, em Nuremberg, no Encontro Anual da National Rifle Association (Associação Nacional do Rifle, loby americano das armas). Em seguida, vem Eneas, agora sem barba, que, desta vez, não carregou mais ninguém com ele. Sem deputados e senadores, ninguém governa. E com eles, é preciso negociar. Sejam Eneas, Clodovis, Russomanos, Paes de Liras. Mas a mídia continua interessada única e exclusivamente na eleição majoritária. Dá no que deu. PAULO MARKUN é jornalista, apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura e editor do Jornal de Debates (www.jornaldedebates.ig.com.br)

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