Artista de rua


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O cenário do calçadão da Rua Voluntários da Franca ganhou um novo elemento ontem. O artista de rua Cláudio André, 33, trouxe até a cidade sua arte mambembe da “estátua viva”. Escolheu um ponto do calçadão, colocou o seu banquinho, uma caixa de papelão ao lado com alguns utensílios, e começou a trabalhar. Vestido com uma túnica marrom de tecido rústico e descalço, ele encobriu todo o rosto e pescoço com argila, deixando apenas um olho descoberto. Aí, subiu no banco, se posicionou e começou o trabalho. Encantou adultos e crianças que passavam pelo local. “É tão diferente e bonito”, disse a pequena Carmem Garcia, 8, que até sentou no colo do artista. Mas fazer esse trabalho não significa apenas ficar imóvel. A arte da “estátua viva” consiste em controlar os movimentos do corpo, que devem ser estáticos, cronometrados, com pausas estratégicas e perfeitas. É como se fosse um robô, mas carregado de muito de sentimento. Como não há fala, a empatia com o público é extremamente sentimental, tem de vir da emoção. “Eu me encantei a primeira vez que vi uma pessoa fazer isso. E quero que as pessoas se encantem comigo também”, diz Cláudio. Além do “homem de barro”, que trouxe para as ruas de Franca, Cláudio também tem no seu repertório o Anjo, que se apresenta todo vestido de branco e com umas asas enormes; e o cowboy prateado, no qual ele pinta todo o rosto com uma tinta especial prateada. Embora seja vista esporadicamente nas ruas de Franca, a “estátua viva” é uma manifestação comum e respeitada em países europeus, como França, Espanha e Portugal, onde essa arte ganhou muitos refinamentos: bailarinas, palhaços, músicos e personalidades são representados pelos artistas. O ARTISTA Carioca, Cláudio faz esse trabalho há sete anos. Começou quando morava em Vitória (ES) como montador tubular em uma refinaria. Um dia, viu uma “estátua viva” e se apaixonou. Aprendeu com esse artista todas as técnicas e tomou a decisão de mudar de profissão. Queria levar sua arte para todo País. E parece que tem conseguido. Ele já se apresentou em cidades do Paraná, Brasília, Goiás, Minas Gerais, Vitória, entre outros estados. Quando chega a uma cidade, não imagina quanto tempo vai ficar. “Depende da recepção do público, de como a cidade nos acolhe”, diz Cláudio com um pouco de dificuldade por causa da argila no rosto. Na bagagem, carrega apenas algumas mudas de roupa, sapato, produtos pessoais e o figurino que vai precisar para o trabalho. Normalmente escolhe uma pousada simples para se hospedar e passa o dia todo na rua, para aproveitar o horário comercial. Ganha uma média de R$ 40 por dia. “Eu faço o que amo. Isso aqui é minha vida”, diz apontando para a roda de pessoas que se aglomerava à sua volta. Foi nessas andanças que Cláudio conheceu sua esposa, hoje também uma “estátua viva”. A dificuldade é que quase nunca eles estão juntos. Essa semana, por exemplo, ela está em Campinas. “Faz 20 dias que não nos encontramos. Devemos nos ver na semana que vem, em Uberlândia”, diz.

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