Encampação da Sabesp embaralha bancadas


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O decreto de “encampação” da Sabesp assinado pelo prefeito Sidnei Rocha no sábado da semana passada “bagunçou” as bancadas governista e oposicionista na Câmara Municipal. Membros certos da base de sustentação do governo, como o presidente Marcelo Mambrini (PMN) e Rui Engrácia (PSDB), que também é gerente distrital da empresa em Franca, assinaram uma indicação que pedia a revogação da medida. Valter Gomes, membro do PSB, partido que não admite ser oposição, mas raramente apóia decisões de Sidnei, defendeu a decisão e chegou a ser vaiado pelos funcionários que lotavam o plenário. Engrácia evita falar em “retaliação”, mas não nega que se sentiu mal com a decisão do prefeito, principalmente por não saber dela antes do anúncio. “Eu não agiria da forma como ele agiu comigo (Sidnei não comunicou a decisão)”. Ele prefere esperar mais para analisar a situação de forma mais calma e diz que o apoio ao prefeito não está comprometido. “É preciso separar as coisas. A gente apóia um plano de governo que está dando certo”, disse. Para Mambrini, a decisão foi uma simplória questão de “autonomia”. “Temos apoiado 90% das coisas de que o prefeito precisa, mas eu tenho que ter uma autonomia também.” Apesar de assiná-lo, o presidente desmereceu o impacto do documento. “Me senti tranqüilo para discordar, até porque o fato de ter assinado não significa a revogação. Tantas outras indicações já foram feitas e não foram atendidas”, disse Mambrini. VAIADO Vaias. Foi o que Valter Gomes recebeu dos funcionários da Sabesp que lotavam o plenário por defender o decreto. “Não fiz discurso para arrancar aplausos. A Sabesp fura o asfalto de Franca há 30 anos. Precisa dar uma contrapartida”. Valter é o líder do PSB na Câmara e costuma colocar barreiras às intenções do prefeito no Legislativo. No caso do decreto, não foi este o caso. Para ele, muitos colegas cederam à pressão e acabaram agindo diferente do que pensam. “O que eu vejo na Câmara é que tem muita gente fraca, que, com uma ‘pressãozinha’, fica abalada. Ali não é lugar pra amador, tem que ter formação política. Eu tenho 25 anos de vida pública e fui eleito para defender a população. E o povo não será beneficiado por postura de frangote, seja lá de que vereador for”, disse. Além de Engrácia e Mambrini, Nirley de Souza (PSC), Mauricio Chinaglia (PSB), Donizete da Farmácia (PMN), Graciela Ambrósio (PDT), Silas Cuba (PT) e Gilson Pelizaro (PT) assinaram a indicação. Na quarta-feira, 27, Sidnei convocou uma reunião, sem os petistas, para dizer que desconsideraria o documento. Comunicou a decisão aos vereadores, à exceção de Graciela, que não foi ao encontro. E nada mais de efetivo foi feito por nenhum membro da Câmara.

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