Mais de 150 pacientes aguardam na fila de transplante em Franca


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VIDA NOVA - Patrícia Aparecida Pinto, que passou por um transplante de fígado, recebe beijo do irmão Bruno e da mãe Sônia: “Sei que sou uma vitoriosa”
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A fila de transplante de órgãos ainda é um obstáculo para aqueles que lutam pela própria sobrevivência. Todos os anos, o número de pacientes aumenta, mas os doadores não acompanham o mesmo ritmo. Só em Franca, hoje mais de 150 pessoas aguardam a oportunidade de ganhar um novo fígado (20) ou um novo rim (mais de 130). De acordo com dados da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, em todo o Estado, são cerca de 3 mil pacientes esperando por um transplante. Quando surge um doador, os critérios para escolher os beneficiários são muito variáveis. Para o rim, segue-se a ordem cronológica da lista, recebe primeiro os que espera há mais tempo, desde que haja compatibilidade. “Não adianta colocarmos o órgão em alguém com alto risco de rejeição. Acabaríamos perdendo o rim e o paciente por causa das complicações”, explica o médico e coordenador hospitalar de transplante da Santa Casa, Otto Cezar Barbosa Júnior. No caso do fígado, os critérios são diferentes. Além da ordem cronológica e da compatibilidade, o índice que mede a gravidade da doença (índice Meld) também é considerado. Quanto maior esse índice, mais rápida será a chamada do paciente. Se não fosse pela mudança, Patrícia Aparecida Pinto, 17, teria de esperar pelo menos mais um ano para receber um novo fígado. Após perceber um inchaço em seu corpo, foi diagnosticada hepatite auto-imune, doença que destrói as células do fígado e o endurece, provocando uma cirrose hepática. Após um ano do diagnóstico, a situação piorou e ela desenvolveu câncer no fígado. Ao todo, foram três anos de muita luta e persistência. “Não gosto nem de lembrar o quanto foi sofrido esse período”. Passado um mês do transplante, a garota já está em casa e passa bem. “Hoje sou outra pessoa”. Patrícia terá de tomar remédios por toda a vida para que o novo órgão não sofra rejeição. Teve de deixar a escola. “Não estudo mais por causa das escadas, mas espero voltar um dia a ter uma vida normal”, diz. Sua mãe ajuda em casa, seu pai tem o salário atrasado e seu irmão sofre de epilepsia. “Somos todos vencedores aqui em casa. Não podemos reclamar de nada. Estamos vivos”, diz. Mesmo com aumento das doações todos os anos, o total dos que necessitam de transplante ainda as supera, e muito. Para o médico cirurgião Otto Cezar Barbosa Júnior, o principal obstáculo a ser vencido no caminho da ampliação do número de transplantes realizados com sucesso é a falta de estrutura do sistema de saúde. “Alguns Estados não têm condição de captar órgãos a tempo. Muitas vidas se perdem por conta disso”. Em Franca, só são feitos transplantes de córnea. Os de rins e fígado são encaminhados ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Para córneas, não há fila de espera.

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