Polícia diz ter prendido dois serial killers


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Dois crimes bárbaros registrados em Franca no fim de setembro chocaram a população. Mais do que a brutalidade, só mesmo a frieza e a completa falta de sentimento dos assassinos. Num intervalo de apenas quatro dias, Ivan Stafussa, 28, e seu enteado André Ricardo Torrente Reche, 18, mataram duas pessoas para roubar. Após darem vários golpes de faca, ainda degolaram os pescoços das vítimas. Em um dos assassinatos, arrancaram a cabeça e a jogaram no meio do mato. A polícia acredita que a dupla pode estar envolvida em outros crimes e que se trata de dois serial killers (assassinos em série). Domingo, dia 17 setembro, às 6 horas, Ivan se encontrou com o lavrador Carlos Henrique de Moura, 23, em um bar da Estação onde trabalhava como garçom e ambos tomaram várias cervejas. Uma hora e meia depois, foram com duas mulheres e um amigo para outro bar na Vila Santa Luzia. Beberam até as 11h30. Deixaram as mulheres e se despediram do amigo. Pediram o carro dele, um Fusca amarelo, emprestado. Ivan e Carlos seguiram para uma choperia na Estação. Lá, o garçom decidiu que mataria o “amigo de copo” para roubar. Como havia sido informado por uma prostituta que a vítima tinha mais de R$ 2 mil no bolso, ligou para o enteado André e deu a dica. “Traz a faca que ele tem muito dinheiro”. Em poucos minutos, André chegou ao local. Comentou que havia muitas mulheres em um rancho na estrada de Batatais e convidou Carlos e Ivan para irem até lá. Convite aceito, colocaram R$ 15 de gasolina no Fusca e seguiram em direção à Rodovia Cândido Portinari. “No primeiro retorno após o pedágio, saquei a faca e dei um golpe no pescoço dele”, contou André, que estava no banco traseiro. A vítima ainda tentou reagir, mas foi golpeada outras vezes. Entraram em um canavial perto do Clube de Campo, onde jogaram o corpo. “O André me perguntou: e aí, Ivan, ele está morto? Como não sabia, peguei a faca e passei no pescoço dele”. No retorno para Franca, o carro deu problema e tiveram que acionar um guincho. O Fusca e as roupas deles estavam sujos de sangue. Não foi difícil encontrarem uma desculpa. “Falei que estava matando porco”, disse André. O latrocínio rendeu a eles R$ 84. Na madrugada de quinta-feira, 21, os dois voltariam a matar. Desta vez, ultrapassaram todos os limites de crueldade. Ivan se encontrou com o gerente Edmar Machado dos Santos, 40, em um boteco freqüentado por prostitutas na Estação e tomaram duas cervejas. Uma hora depois, seguiram para outro bar nas proximidades. Eram 2 horas e o destino de Edmar já estava traçado. Ivan disse que daria uma saidinha e voltaria em seguida. Foi até a casa de André, pegou uma faca debaixo do colchão e voltou para o bar na companhia do enteado. Tomaram mais uma cerveja e convidaram o gerente para ir para outro local. “Perto do Correio da Estação, dei uma facada no pescoço dele”. A vítima não teve chance de se defender. Seguiram para um canavial próximo a São José da Bela Vista. Voltaram a esfaquear a vítima. Ivan arrancou a cabeça e arremessou pelos cabelos a uma distância de dez metros. “Cortamos o pescoço para ter certeza que ele estava morto”, disse André. O roubo seguido de morte rendeu R$ 60. André foi preso segunda-feira, 25, na casa dele, na Rua Voluntários da Franca, Estação. Em outubro do ano passado, ele matou o mototaxista André Luiz Bastos Tozato, 27. Ivan foi preso no mesmo dia em Astorga (PR). Em maio, ele assassinou o também mototaxista Rodrigo César de Oliveira, 27, por ciúmes. “São dois assassinos frios e calculistas. Dois verdadeiros serial killers. Se continuassem nas ruas, continuariam matando”, afirmou o delegado Wanir José da Silveira Júnior. André e Ivan podem estar envolvidos em outros assassinados ocorridos em Franca.

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